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Dívida do CDS, arranjinhos e campeonato dos pequenos no debate a cinco

Dívida do CDS, arranjinhos e campeonato dos pequenos no debate a cinco

O debate entre os cinco candidatos à liderança do CDS-PP arrancou, esta quinta-feira, com a recusa em entrar "no campeonato dos pequeninos", com a promessa de não fazer "arranjinhos" para o congresso e denúncias da falta de pagamento de ordenados no partido.

A sede do CDS-PP em Lisboa foi o palco escolhido para o único debate previsto antes do congresso de Aveiro, que se realiza no fim deste mês. Participaram os cinco candidatos que estão no terreno: João Almeida, Filipe Lobo d' Ávila, Francisco Rodrigues dos Santos, Carlos Meira e Abel Matos Santos. Apenas as intervenções iniciais foram abertas aos jornalistas e transmitidas em direto no Facebook, continuando o debate à porta fechada, apesar dos apelos de militantes de vários pontos do país.

De João Almeida, deputado e porta-voz do partido, chegou a referência às novas forças parlamentares como é o caso, à Direita, do Chega e da Iniciativa Liberal. "Não estou disponível para disputar o campeonato dos pequeninos", afirmou, após atacar quem faz comparações com "partidos que apareceram agora".

"O nosso campeonato não é dos pequeninos", insistiu João Almeida, assegurando do mesmo modo não estar disponível para "o concurso do decibel" porque "não é a gritar mais do que esses partidos" que o CDS voltará a crescer.

Tal como o porta-voz, também Filipe Lobo d' Ávila defendeu que o partido "não deve ter receio no futuro". A seu ver, deve iniciar "um novo ciclo na Direita". O ex-deputado diz que é preciso "recuperar a credibilidade do CDS" e "a confiança dos eleitores".

A sua candidatura "é um ato de coerência", explicou Lobo d' Ávila, garantindo que o seu grupo "Juntos pelo futuro" e ele próprio "não procuram acordos, nem arranjinhos". "Ou já os teria feito" com Assunção Cristas, de cuja liderança foi um dos principais críticos. "Vou a votos sim", "não estou à espera de rigorosamente nada nem de ninguém", afirmou o candidato.

"Desinfetar isto de cima a baixo"

A intervenção de Carlos Meira, militante de Viana de Castelo, agitou a sala, num clima bastante tenso e numa troca de palavras com a assistência. O candidato começou com uma provocação. A caminho de Lisboa, "queria comprar baldes de lixívia para desinfetar isto de cima a baixo", disse, elevando a voz e criticando as intervenções dos candidatos que o antecederam. "Isto continua igual", acusou, assumindo-se como "o único" que no último congresso defendeu as bases.

"Hoje vamos colocar o partido na ordem", continuou, desafiando o dirigente nacional João Almeida a esclarecer, por ser da Comissão Executiva, o caso dos "funcionários que não estão a receber os ordenados" e também as notícias de encerramento de sedes, referindo-se particularmente ao distrito do Porto.

Quando têm surgido notícias de rescisões e de encerramento de sedes dada a preocupante dívida do partido, Carlos Meira defendeu a sua "reestruturação".

O líder da Juventude Popular, Francisco Rodrigues dos Santos, que apresenta o "manifesto da nova Direita", foi o primeiro a falar do primeiro-ministro e do PS. "O meu adversário chama-se António Costa", destacou. Quanto ao CDS, "é maior do que qualquer resultado eleitoral", mas não pode "esperar na paragem que o autocarro volte a passar".

Francisco Rodrigues dos Santos diz que "a fórmula para o fracasso" na política "é procurar agradar a todos" e "perder identidade". E "o CDS não pode ser o partido que se esforça para agradar ao eleitorado que nunca vai votar" nele. Solução: "não procurar ideias para os votos, mas os votos para as ideias que são nossas".

Abel Matos Santos, porta-voz da Tendência Esperança em Movimento, optou por destacar as principais linhas da sua moção. Começou por referir o combate à pobreza, à desertificação do Interior, à morosidade da Justiça e à corrupção, e passou para "o combate à degradação do Serviço Nacional de Saúde". Quanto aos temas mais polémicos, defendeu que "o Estado deve ajudar a que as pessoas" não recorram ao aborto e, na eutanásia, disse ser importante "que o Estado cuide e não mate".

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