Polémica

Divulgado parecer que suspendeu venda de livros da Porto Editora

Divulgado parecer que suspendeu venda de livros da Porto Editora

A Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) divulgou, segunda-feira, a totalidade do parecer técnico que recomendou a suspensão da venda do Blocos de Atividades da Porto Editora, cujos conteúdos diferenciados para meninos e meninas foram alvo de acesa discussão pública.

A polémica com os dois blocos de exercícios, um para meninas, cor-de-rosa, e outro para meninos, azul, dos quatro aos seis anos, começou na última semana nas redes sociais, tendo a editora negado, na sua página do Facebook, as acusações de discriminação de género e preconceito. Ainda assim, a venda dos livros foi suspensa.

O parecer agora divulgado centra a argumentação sobre estes blocos de atividades em três tópicos: "reforço da segregação de género", "reforço dos estereótipos de género" e "diferenciação do grau de dificuldade das atividades".

No que concerne ao "reforço da segregação de género", a CIG inicia a análise por assinalar que a existência de um caderno de exercícios diferenciado para o sexo masculino e sexo feminino é, por si só, um problema.

"Esta segregação não permite que as meninas tenham acesso às atividades que são propostas para os rapazes, e vice-versa, reforçando a mensagem que são transmitidas a cada um dos sexos", lê-se no documento.

Neste âmbito, a CIG recomenda que "as atividades deverão estar contidas num único bloco de atividades para meninos e meninas (..), tal como acontece no sistema de ensino em que os manuais são comuns".

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No subtópico dedicado ao "reforço dos estereótipo de género", o parecer da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género assinala que as "ilustrações apresentadas diferem consoante o sexo a que se dirigem, reforçando estereótipos de género". O mesmo é afirmado sobre o tipo de atividades propostas às crianças, que reforçam "papéis de género estereotipados".

Como exemplo, a CIG refere a diferenciação de cores (azul para rapazes e cor-de-rosa para raparigas) e o facto de aos meninos serem propostas atividades relacionadas com o "exterior/espaço público (bolas foguetões, carros barcos, berlindes)", enquanto a edição para meninas tem ilustrações mais relacionadas com o "interior/espaço privado (bolos, adornos, bonecas, peluches)".

Como recomendação, a CIG diz que "a revisão dos conteúdos deverá garantir que as imagens veiculadas nas atividades, não reproduzem estereótipos de género discriminatórios. Por exemplo, uma só atividade poderá incluir meninas e meninos a pintarem um barco".

No ponto relacionado com o grau de dificuldades das atividades, a análise do CIG permitiu concluir que, das atividades propostas, "6s têm resolução mais difícil no Bloco de Atividades para meninos, enquanto apenas 3 têm resolução mais difícil no Bloco de Atividades das meninas".

Recomendando que se adote apenas um "Bloco de Atividades para crianças dos 4-6 anos", a comissão lembra que o facto de existirem mais exercícios difíceis para meninos "poderá reforçar a ideia de que desigualdade nas capacidades cognitivas de meninos e meninas".

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