135 anos a criar pontes

Do impulso político ao compromisso com o povo

Do impulso político ao compromisso com o povo

Com toda a certeza, mesmo não havendo documentação que o corrobore, os fundadores do "Jornal de Notícias" não pensaram que, 135 anos depois, viríamos aqui falar deles.

O impulso de criar um periódico não nascia de um desejo de lucro ou de durabilidade, mas de um ímpeto participativo, com causas conjunturais mais ou menos efémeras. E o texto de apresentação do diário, na capa, punha tudo em pratos limpos: "O nosso jornal combate nas fileiras do partido regenerador. Nem representa qualquer individualidade, por muito que ella se imponha dentro do partido; nem favorece os agrupamentos parciaes, porque desadora qualquer fragmentação que roube a força, que só uma completa unidade póde dar. Somos partidarios d"um partido, e como taes nos manteremos sempre".

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Não foi assim. O Mundo e o país foram mudando, e o que se manteve sempre foi o JN. Mas temos de associar essa firmeza de propósitos a um tempo agitado, em que os regeneradores eram minados por dissidências, que, no Porto e em Lisboa, haviam gerado dois jornais de curta vida: "O Norte" e o "Esquerda Dinástica". Foi nesse contexto que alguns homens, com destaque para José Arroio, Manuel Vaz de Miranda e Aníbal da Costa Morais, obtendo o direito de usar um título que já havia encabeçado outras publicações, fundaram o "Jornal de Notícias", cuja edição inaugural, com quatro páginas e 7500 exemplares, foi posta à venda em 2 de junho de 1888. Custava 10 réis.

Desde sempre, algo que este jornal jamais abandonou, a primazia dada aos leitores e aos sem voz: "Não nos aventuramos [a fundar um jornal], porque havemos sempre de estar ao lado dos que, mais do que ninguem, teem direito a não ser ludibriados, dos que labutam efficaz, mas ingloriamente, do povo enfim. (...) Não buscaremos o favor popular, para no dia seguinte, esquecidos do que lhe devamos, abandonar esses mesmos que nos deram alento e nos cobriram de sympathia, e ir buscar a contractos immoraes e a condescendencias condemnaveis, inqualificaveis, lucros e benesses que nos obriguem a córar diante de nós mesmos".

Esta evocação, no ano do nosso 135.º aniversário, marca o início de uma contagem decrescente. Até 2 de junho, diariamente, recordamos como o JN viu e noticiou acontecimentos de vulto, em todas as áreas. Não seguiremos a cronologia nem teremos, necessariamente, notícias de cada ano em que o jornal se publicou. Até ao dia de soprarmos as velas, este será o espelho de como andaram o país e o Mundo e de como, connosco, os leitores souberam de tudo isso.

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