Banco Alimentar

Doações a "bom ritmo" mesmo com desconhecimento da campanha  

Doações a "bom ritmo" mesmo com desconhecimento da campanha  

Alguns dos clientes do Auchan, em Aveiro, não sabiam da iniciativa que decorre este fim de semana. Mesmo assim, as contribuições estavam a chegar a bom ritmo.

De 45 em 45 minutos, José Dias e a mulher, ambos voluntários do Banco Alimentar Contra a Fome, estão a ir ao hipermercado Auchan, em Aveiro, para esvaziar os carrinhos de compras já cheios de donativos. Dali, seguem com os bens alimentares para o centro de distribuição local, onde os descarregam. Depois, repetem o exercício. Foi assim durante a manhã deste sábado, sempre com a mesma cadência horária. É que, apesar de muitas pessoas dizerem que não tinham tido conhecimento prévio da campanha, as doações estavam a acontecer a bom ritmo.

"Estamos a fazer a média e parece que de 45 em 45 minutos é preciso vir cá. É vir, recolher, levar para o centro de distribuição, descarregar e voltar", conta José Dias, há vários anos voluntário do Banco Alimentar. José integra a direção de uma IPSS, a Associação Melhoramentos de Eixo, cujas técnicas do serviço social acompanham famílias carenciadas, às quais chegam cabazes de bens alimentares através, precisamente, do Banco Alimentar Contra a Fome. Este sábado, José Dias e a mulher são voluntários de livre vontade. "Para mim, é uma questão de cidadania. Por isso, disponibilizámos o dia inteiro. Não é a mesma coisa do que estar sentado em casa, mas este voluntariado atenua o cansaço que se possa sentir", garante.

À entrada do hipermercado, no interior do centro comercial Glicínias Plaza, está Lúcia Lopes, também voluntária há vários anos, mas a ter pela primeira vez contacto com o público - visto que, nas outras campanhas, costuma estar no centro de distribuição. Com um sorriso, Lúcia pergunta a todos os que entram se querem contribuir para a causa, oferecendo um saco de papel para colocarem os bens que vão comprar. "A maioria, aceita. Mas há sempre as pessoas que desviam o olhar e outras, até, que recusam e fazem comentários negativos", lamenta a voluntária.

Ajuda essencial após pandemia

Anabela Ribeiro foi uma das centenas de pessoas que acederam ao pedido de contribuição. Mesmo não tendo tido conhecimento prévio da campanha. "Não sabia. Cheguei aqui e fui completamente surpreendida e acho que muitas pessoas também vão ser. Mas não é por isso que deixo de contribuir. Faço-o há muitos anos e até já fui voluntária", conta Anabela, para quem, este ano, a angariação do Banco Alimentar tem uma importância acrescida. "Com a pandemia, houve muitas situações em que o Banco Alimentar realmente ajudou muitas pessoas. Há muita fome encoberta. Estamos a sair da pandemia, a recuperar, mas é um processo lento", frisa.

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Anabela Ribeiro, talvez por ser professora de profissão, garante que pensa sempre nas crianças na hora em que está a comprar alimentos para doar. Por isso, "bolachas, cereais e leite" estão na sua lista de prioridades.

Também com um saco cheio, para o depositar no carrinho de compras, chega com pressa Anabela Leal. Mas nem a escassez de tempo a impediu de contribuir. "Acho importante ajudarmos quem mais precisa. Sempre que posso, contribuo", deixa claro, ao deixar o saco onde estão "bens não perecíveis, como arroz e massa". Também ela, quando chegou ao Auchan, "não sabia da campanha". E outros clientes asseguraram não saber.

"O português é solidário"

Apesar do aparente desconhecimento prévio da iniciativa, por parte de alguns dos clientes daquele hipermercado, os voluntários não estavam, ao final da manhã, a sentir quebras na quantidade de doações. "Para já, está a correr bem. Aliás, melhor ou pior, corre sempre bem. O português é, por natureza, uma pessoa solidária", atestava Rui Bispo, coordenador da equipa de mais de três dezenas de voluntários que, até ao final do dia, vão estar no Auchan de Aveiro.

Rui tem consciência que a campanha de angariação do Natal "é sempre mais forte, talvez por as pessoas receberem o subsídio de Natal e lhes ser mais fácil ajudar". Mesmo assim, mostrava-se confiante que a campanha deste fim de semana, a de maio, desse bons frutos. As primeiras horas, pelo menos, assim auguravam.

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