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Doença rara em crianças infetadas alerta pediatras

Doença rara em crianças infetadas alerta pediatras

Pediatras de todo o Mundo estão em alerta para uma possível relação entre a Covid-19 e a doença de Kawasaki, uma patologia rara que afeta sobretudo crianças e que está a aumentar em alguns países.

Parte dos doentes estão infetados com o novo coronavírus, mas ainda não há certezas se é o SARS-Cov-2 que desencadeia aquela doença que provoca inflamação dos vasos sanguíneos. A Organização Mundial da Saúde está a investigar e admite que o novo coronavírus pode estar a "atacar outros tecidos além do pulmonar". Por cá, a Direção-Geral da Saúde garante que, até agora, não há casos e que os médicos estão atentos.

O primeiro alerta para um aumento do internamento de crianças com reação inflamatória rara (com sintomas parecidos com a doença de Kawasaki e a síndrome de choque tóxico) foi da Associação de Pediatras de Cuidados Intensivos do Reino Unido. E logo corroborado pela Associação Espanhola de Pediatria e pela Sociedade Italiana de Pediatras, os países europeus mais afetados pela pandemia. Entretanto, os Estados Unidos reportaram pelo menos um caso, num bebé de sete meses, e o ministro da Saúde francês manifestou preocupação com a situação, após receber um alerta de Paris, onde foram identificados 15 casos.

Poucos casos por ano

Embora rara, a doença de Kawasaki (herdou o nome do pediatra japonês que a descreveu pela primeira vez) surge todos os anos e sabe-se que pode ser desencadeada por infeções víricas ou bacterianas. A dúvida é saber se a Covid-19 está a aumentar a prevalência.

Em Portugal, o número médio de casos por ano não ultrapassará as dezenas. "No Hospital de S. João, temos uma média de cinco por ano", afirmou ao JN Mariana Rodrigues, pediatra da Unidade de Reumatologia do Centro Hospitalar e Universitário S. João.

A especialista explica que a doença é mais frequente nas crianças entre os dois e os cinco anos, sendo que os bebés menores de 12 meses e os jovens têm mais risco de desenvolver complicações. Embora tratável, esta inflamação dos vasos sanguíneos pode dilatar as artérias coronárias e aumentar o risco de problemas cardiovasculares a longo prazo. Durante a infeção, "em situações muito raras, a evolução aguda pode originar um choque e levar à morte". Segundo a especialista, não há memória de óbitos pela doença de Kawasaki nos últimos dez anos no Hospital de S. João.

Vários dias de febre alta, manchas no corpo, lábios, língua e garganta inflamada, olhos vermelhos, aspeto geral doente são sinais da doença de Kawasaki. "As pessoas em geral não têm de ficar muito preocupadas porque com estes sintomas já procurariam ajuda", realça Mariana Rodrigues, considerando o alerta importante para a comunidade médica que, a partir de agora, na presença da doença vai procurar a Covid-19.

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