Saúde

Doenças associadas à obesidade custam 207 euros per capita por ano

Doenças associadas à obesidade custam 207 euros per capita por ano

O excesso de peso e a obesidade não param de aumentar em Portugal e nos países de OCDE. Se nada for feito, entre 2020 e 2050, a epidemia vai roubar 2,2 anos de esperança de vida aos portugueses e custar muitos milhões de euros. Um relatório da OCDE sobre o tema alerta que a prevenção ainda é um "excelente investimento".

Em Portugal, 10% da despesa total de saúde é para tratar doenças relacionadas com o excesso de peso, uma percentagem acima da média dos países da OCDE (8,4%) e equivalente a 207 euros per capita por ano.

Os números constam do relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) "The Heavy Burden of Obesity - The Economics of Prevention", divulgado esta manhã de quinta-feira, a propósito do Dia Mundial da Obesidade que se assinala amanhã.

O estudo analisa o impacto económico, social e os custos de saúde do número crescente de pessoas obesas e com excesso de peso. A análise mostra como a obesidade reduz a esperança de vida, prejudica o rendimento escolar das crianças, afeta a produtividade no trabalho e trava o crescimento económico dos países.

O excesso de peso e a obesidade afetam mais de metade (58%) da população adulta dos 36 países da OCDE. E prevê-se que em 2050 haverá 92 milhões de mortes prematuras por doenças relacionadas com o excesso de peso.

Em Portugal, segundo dados de 2016 anexos ao relatório, a prevalência de obesidade é de 21,7%, sendo que 5,39% são casos de obesidade mórbida (com índice de massa corporal superior a 35). Em situação de pré-obesidade estão 36,7% dos portugueses.

Em 20 anos, a evolução foi significativa: a prevalência de obesidade saltou dos 12%, em 1996, para os 16,3% em 2006 e atingiu os 20,8% em 2016.

A epidemia cresce por todo o lado, apesar dos esforços na implementação de algumas políticas inovadoras - como é o caso da taxação das bebidas açucaradas em 14 países, incluindo Portugal -, e os custos são muito elevados.

Segundo a OCDE, tratar as doenças causadas pelo excesso de peso custa cerca de 385 mil milhões de euros por ano. O excesso de peso "é responsável por 70% da despesa total com tratamentos para a diabetes, 23% da despesa com tratamentos de doenças cardiovasculares e 9% da despesa com tratamentos para o cancro", revela o relatório.

Além disso, segundo os peritos, a população com doença crónica associada ao excesso de peso tem mais dificuldade em conseguir emprego e, quando empregada, falta mais ao trabalho. Por isso, concluem, as doenças associadas à obesidade têm um impacto estimado no Produto Interno Bruto (PIB) de 3,3% nos países da OCDE (3% em Portugal).

A boa notícia, dizem os autores, é que o investimento na prevenção da obesidade tem retorno económico. Por cada dólar investido há um retorno de seis dólares para a economia, alertam.

Pegando no exemplo do Reino Unido, os relatores defendem a negociação dos governos com a indústria para reduzir em 20% as calorias de um grupo de alimentos relevantes. Tal medida permitiria prevenir o desenvolvimento de mais de 1,1 milhões de casos por ano de doenças cardiovasculares, diabetes e vários tipos de cancro.

Também a rotulagem com informação nutricional dos menus dos restaurantes e outros alimentos é tida como uma intervenção efetiva com impacto na prevenção da doença e redução de custos. Amplas campanhas de literacia nos media e a aposta no exercício físico são outras medidas defendidas.

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