Saúde

Doentes crónicos pedem mais acompanhamento da sua doença

Doentes crónicos pedem mais acompanhamento da sua doença

Quase 70% das pessoas com doenças crónicas em Portugal pedem mais profissionais de saúde no acompanhamento destas patologias e mais de metade querem mais consultas de rotina. Mais de metade dos inquiridos refere que é necessário melhorar a qualidade dos cuidados de saúde. São estas as principais conclusões de um estudo cujo objetivo foi avaliar o impacto da pandemia da covid-19 nas pessoas com esta patologia e que será apresentado esta quarta-feira em Lisboa.


"Os cuidados que prestamos aos doentes crónicos continuam a ser deficientes, reativos e fragmentados, paradigma que estamos obrigados a mudar" disse ao JN o professor Luís Campos, médico e presidente do Conselho Português para a Saúde e Ambiente. Luís Campos vai estar presente na mesa redonda de comentário ao estudo que terá lugar esta quarta-feira, na cerimónia de entrega da 13ª edição do Angelini University Award (AUA!), no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.

O professor explicou ainda que a pandemia revelou a falta de investimento na prevenção das doenças crónicas, acreditando ser necessário pensar numa estratégia que faça face às desigualdades da população. "Ela atingiu principalmente os mais vulneráveis, os mais idosos, os doentes crónicos e os mais pobres", referiu Luís Campos. "Sabemos que os fatores socioeconómicos determinam 25% da saúde das pessoas, ou seja, pessoas mais pobres têm mais doenças e isso é um problema porque a pandemia vai lançar mais pessoas para a pobreza, o que tem um impacto na saúde dos portugueses", acrescentou, sublinhando ainda a necessidade de estratégias que combatam o envelhecimento, a insuficiência dos recursos humanos, a ausência de uma rede nacional de hospitais e cuidados de saúde primários e a falta de resposta da Segurança Social.

É ainda de referir que, segundo o inquérito, o período pandémico teve um impacto relevante na qualidade de vida dos doentes crónicos, principalmente daqueles com menor rendimento. Dos dois mil doentes crónicos inquiridos, mais de um terço avaliou o impacto do período pandémico na sua qualidade de vida com um nível de 8, 9 ou 10, numa escala em que 10 significava "Impacto muito grande". Além disso, a pandemia fez com que os inquiridos se sentissem mais preocupados com a sua doença, principalmente os mais novos.

O estudo aponta ainda que, durante a pandemia, a realização de consultas de rotina no Centro de Saúde e no Hospital foram os aspetos mais problemáticos, para metade dos inquiridos. No entanto, apenas pouco mais de um terço dos doentes questionados teve dificuldades no acesso a cuidados de saúde relacionados com a sua doença crónica nesse período. Nas situações em que essas dificuldades se verificaram, as principais consequências foram o cancelamento ou adiamento das consultas pelos serviços de saúde. "Uma das coisas que a pandemia veio mostrar é a necessidade de preservar um sistema nacional de saúde forte e com capacidade de resposta", explicou Luís Campos.

PUB

Impacto na qualidade da saúde

Já relativamente a cirurgias, o inquérito revela que o seu cancelamento ou adiamento teve um grande impacto na qualidade de saúde dos doentes crónicos que as marcaram, apesar de isso ter acontecido apenas a uma pequena parte dos inquiridos.

As dificuldades no acesso a cuidados de saúde foram contornadas por estes doentes principalmente através da telemedicina (31,3%) e do recurso a médicos de família, farmácias e médicos do sistema privado.

Para os doentes inquiridos, os cuidados de saúde primários foram considerados os mais relevantes para o acompanhamento e gestão da doença crónica, seguidos dos hospitais públicos e das farmácias. Além disso, são também o local de eleição caso os doentes tenham um problema de saúde relacionado com a sua doença crónica.

Todos os doentes inquiridos para a realização do estudo eram portugueses com idade superior a 18 anos, sendo a maior parte portadores de doenças cardiovasculares (27,7%), auto-imunes (26,3%), respiratórias (23,7%) ou mentais (16,3%).

O estudo, realizado pela Spirituc Investigação Aplicada para a Angelini Pharma, com o envolvimento da Ordem dos Médicos e da Ordem dos Farmacêuticos, foi implementado entre setembro e novembro de 2022.

O AUA!, que este ano é dedicado à "Gestão dos Danos Colaterais da Pandemia em Pessoas com Doenças Crónicas", é uma iniciativa promovida pela Angelini Pharma e dirigida a estudantes universitários na área da saúde em Portugal, que são convidados a produzir um projeto relacionado com o tema.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG