Covid-19

Doentes graves aumentaram 300%. Reforço dos cuidados intensivos é "urgente"

Doentes graves aumentaram 300%. Reforço dos cuidados intensivos é "urgente"

Crescimento do número de infetados terá impacto na próxima semana. Tutela promete duplicar ventiladores.

O número crescente de doentes de Covid-19 na última semana vai refletir-se nas unidades de cuidados intensivos dentro de sete a dez dias. Este hiato temporal que decorre entre o diagnóstico e o quadro mais agudo de um doente grave é bem conhecido dos médicos intensivistas que anteveem a necessidade de alargar com urgência a capacidade destes serviços. Ontem, estavam internados em unidades de cuidados intensivos 240 doentes, incluindo oito profissionais de saúde. É um aumento de 293% face à semana anterior. A tutela promete duplicar a resposta do país ao nível dos ventiladores.

"Ainda não há ruturas, por agora a capacidade de resposta está a ser suficiente, mas como estamos em fase de crescimento é absolutamente urgente aumentar o número de camas em cuidados intensivos", assinalou ao JN, José Artur Paiva, presidente do Colégio de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos. O médico assegura que "a capacidade instalada não é suficiente para o momento em que atingirmos o pico" e alerta que, além das camas, é preciso todo o equipamento que as rodeia e profissionais. Como o número de intensivistas no país "é relativamente escasso", há que implementar políticas de mobilização de profissionais com alguma experiência na área para aquelas unidades.

Face aos impressionantes relatos de países como Itália e Espanha, onde o número de camas e ventiladores não chega para todos os doentes, a necessidade de melhorar a resposta em cuidados intensivos têm sido abordada pela tutela. Ontem, na conferência de Imprensa diária sobre a pandemia, o secretário de Estado da Saúde, acompanhado do presidente da Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos, anunciou que "entre ofertas, compras e empréstimos, estaremos em condições de duplicar a nossa capacidade de ventilação".

Reforço de 1300

António Lacerda Sales precisou que "foram oferecidos 400 ventiladores invasivos, muitos dos quais já chegaram aos hospitais e outros com previsões de entrega muito em breve". Falou ainda dos ventiladores não invasivos emprestados e destacou os 900 ventiladores adquiridos pela Administração Central do Sistema de Saúde. Destes, alguns já estão em Portugal e outros "144 chegarão este fim de semana ao país", adiantou.

A informação foi corroborada por João Gouveia, também coordenador da equipa da Direção-Geral da Saúde (DGS) na área dos cuidados intensivos para planeamento e operacionalização destes recursos. O responsável explicou que o material que vai chegar durante a semana será distribuído pelos hospitais de acordo com critérios específicos, tendo em conta as necessidades, a urgência e critérios de segurança.

João Gouveia destacou o "crescer significativo da capacidade instalada" em cuidados intensivos, mas não detalhou. O JN questionou a Direção-Geral da Saúde sobre o atual número de camas em UCI e a respetiva taxa de ocupação com doentes Covid e outros, mas não obteve resposta em tempo útil.

Dos 240 casos internados ontem em UCI, 41 estavam no Hospital de S. João, no Porto, confirmou o JN. Fonte daquela unidade afirmou que a capacidade ainda não está esgotada, de acordo com o plano de contingência.


Já há empresas a apoiar projeto de ventilador português

A EDP, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação La Caixa/BPI e a REN foram as primeiras entidades a anunciar o apoio ao projeto de ventilador pulmonar português, desenvolvido no CEiiA, em Matosinhos. A associação destas fundações e empresas ao projeto Atena é considerada "decisiva" para os hospitais portugueses disporem, já em maio, de cem unidades deste modelo desenvolvido para salvar a vida de quem entra em falência respiratória aguda. A falta de ventiladores foi um dos temas que o Ramalho Eanes abordou numa entrevista à RTP. "Nós, os velhos, vamos ser os primeiros a dar o exemplo. Não saímos de casa, recorremos sistematicamente aos cuidados que nos são indicados e mais, quando chegarmos ao hospital, se for necessário oferecemos o nosso ventilador ao homem que tem mulher e filhos", disse o ex-presidente da República.

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