Saúde

Dois casos de legionela em fábrica de Vermoim

Dois casos de legionela em fábrica de Vermoim

Afinal, não foi apenas um, mas dois os trabalhadores da Sakthi, empresa de componentes automóveis, sediada na Maia há 45 anos, que contraíram a doença do legionário, desde novembro.

Porém, só num deles foi possível, para já, estabelecer a ligação causa/efeito. Há outros seis casos em investigação, mas que não podem, ainda, ser associados à mesma fonte.

Ao contrário do que informou, esta manhã de terça-feira, o presidente da administração da fábrica, Jorge Fesch, a Direção-Geral da Saúde (DGS), ao final do dia, reportou que o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica notificou "dois casos da doenças do legionário em trabalhadores da empresa Sakthi Portugal SA".

Segundo um comunicado da DGS, foi feito um estudo ambiental na empresa, que incluiu a colheita de água em vários locais. As análises, realizadas pelo Instituto Ricardo Jorge, revelaram a presença de legionela. "Foi, então, suspenso o funcionamento das torres suspeitas, a fim de serem realizados tratamentos químicos de desinfeção", pode ler-se no comunicado.

Uma das estirpes encontradas na fábrica é a mesma que provocou infeção num dos trabalhadores que, entretanto, já recuperou.

A DGS garante que estão a ser tomadas todas as "medidas adequadas à situação" e os residentes da Maia "não necessitam de adotar medidas específicas".

Na madrugada de ontem, os inspetores do Ambiente estiveram na Sakthi em minuciosas operações de fiscalização, que ao final do dia, ainda estavam em curso.

Trabalhador já "recuperado"

Jorge Fesch, ao final da manhã de ontem, falou da existência de um "único caso" de legionela nas instalações da fábrica e que a situação aconteceu em novembro passado, estando o trabalhador já "recuperado". E acrescentou: "Tivemos em fevereiro o contacto da DGS, resultante de uma queixa do trabalhador - entretanto recuperado -, que decidiu, e bem, aprofundar as razões que possam ter conduzido a esta situação".

Desde essa altura, o administrador confirmou que "naturalmente a Sakthi reforçou os seus tratamentos e o seu ritmo de análises (que agora são quinzenais)", sublinhando que "sucessivamente têm surgido como negativas".

O que não impediu que "nos múltiplos reservatórios e circuitos de água que a empresa dispõe para efetuar a sua laboração tivesse havido, num deles, uma primeira análise que deu positiva, no mês passado". "A análise tem o valor de uma análise, não tem um valor absoluto", referiu.

Foi a DGS que, anteontem à noite, revelou existir um caso confirmado de doença do legionário numa fábrica da Maia, e outros sete "em estudo".

Na Rua de Jorge Ferreirinha, em Vermoim, onde se localiza a empresa de componentes automóveis, a população confirmou ao JN só ontem ter ficado a saber do assunto, desdramatizando a situação: "Não nos preocupa, porque ao que sabemos foi um único caso e já foi tratado", comentou um comerciante.

Ainda assim, o empresário descreveu que a Sakthi encontra-se "em alerta" e os trabalhadores "muito bem assistidos, em permanente trabalho com a DGS". E explicou: "Não sou técnico, mas tanto quanto dão a saber, a legionela está sempre presente. Precisamos é de salvaguardar que as condições onde ela está ativa não ocorram".

Também o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, veio, ontem, dizer que o caso da Sakthi está "controlado e mitigado", indicando que estão a ser tomadas "medidas cautelares".

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