Covid-19

Dois portugueses assinam carta mundial que pede fim das "fake news"

Dois portugueses assinam carta mundial que pede fim das "fake news"

Uma carta publicada esta quinta-feira no jornal "The New York Times", assinada por 100 especialistas, pede aos diretores executivos das gigantes tecnológicas para controlarem o fluxo de conteúdos falsos disseminados nas redes sociais especialmente durante a pandemia de covid-19. Há dois portugueses entre os signatários, Ricardo Mexia e Catarina de Oliveira Paulo.

"Histórias que alegam que a cocaína é uma cura", "que a covid-19 foi desenvolvida como uma arma biológica", "que milhões de americanos receberam o vírus do cancro através da vacina da poliomielite" são alguns dos conteúdos que se disseminaram pelas redes sociais nos últimos tempos. Uma carta publicada esta quinta-feira, 8 de maio, pelo jornal norte-americano "The New York Times", e assinada por 100 profissionais de todo o mundo, pede aos diretores executivos das empresas tecnológicas para que controlem o fluxo de notícias falsas ("fake news"). O documento foi coordenado pela Avaaz, organização não-governamental que promove a mobilização social e mundial através da Internet.

"Não queremos restringir a liberdade de imprensa e circulação", diz ao JN Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública e um dos signatários portugueses. De acordo com o médico português, um documento desta magnitude estava a ser pensado há muito tempo, mas, com a crise desencadeada pelo vírus da covid-19, a chamada da atenção aos gigantes das redes tornou-se urgente. Há mais uma portuguesa nos subscritores: Catarina de Oliveira Paulo, médica de infecciologia e medicina tropical.

A capacidade de um conteúdo falso ser viral é uma preocupação para os signatários desta carta, que afirmam convictamente que a "desinformação está a ameaçar vidas". Parte da solução passa necessariamente por "validação dos jornalistas", diz Ricardo Mexia, mas também pelos esforços que as empresas como Facebook, Twitter, Google ou YouTube podem ter na erradicação das informações falsas e erradas.

A carta aponta duas estratégias: o registo de desinformação através de um alerta ou de uma notificação a todos os utilizadores que viram ou leram informação falsa e alteração dos algoritmos para que as contas que promovam notícias falsas sejam desconsiderados do "feed". O objetivo é retirar poder a tudo o que não seja verdadeiro. Os 100 signatários reconhecem ainda assim que já foi feito algum trabalho pelas empresas tecnológicas, ao permitir por exemplo que a Organização Mundial de Saúde publique anúncios grátis, mas tal ainda não é suficiente.

Com 587 mil novas assinaturas digitais no primeiro trimestre deste ano, o "New York Times" foi o primeiro jornal onde esta carta foi publicada. "Mas a ideia é que a carta seja disseminada por mais países e que mais profissionais de saúde a assinem", diz Ricardo Mexia. Entre os signatários atuais há enfermeiros, epidemiologistas, cirurgiões, investigadores e psiquiatras. "Os gigantes da tecnologia devem parar de fornecer oxigénio às mentiras, manchas e fantasias que ameaçam todos nós", concluem.