Infertilidade

Doou óvulos para amiga ser mãe mais depressa

Doou óvulos para amiga ser mãe mais depressa

Tânia Pires, de 27 anos, ao doar os seus óvulos, catapultou a amiga para o topo de uma lista de espera de três anos, que se iam juntar aos cinco dolorosos anos que viveu desde que começou a tentar engravidar.

"Só quem passa por uma situação destas é que sabe o sofrimento que é querer ser mãe e não conseguir", recorda Susana Reis, com as mesmas lágrimas que derreteram o coração da colega,

Na Delphi de Castelo Branco, onde ambas trabalham, Susana, agora com 35 anos, há muito não disfarçava o seu sofrimento. Cedo descobriu que a sua infertilidade derivava da falta de capacidade em ovular e procurou ajuda. De Castelo Branco foi reencaminhada para Coimbra, onde fez tratamento ao longo de dois anos, até descobrir que a única alternativa era recorrer ao Banco Público de Gametas, na Maternidade Júlio Dinis, no Porto. Enviou uma carta, foi notificada para uma consulta e aí recebeu "um banho de água fria". A lista de espera era de três anos, a não ser que encontrasse alguém que estivesse disponível para doar. Nesse caso, e embora a transferência não seja direta, foi-lhe dito que seria catapultada para o topo da lista de espera.

Susana não escondeu o assunto das colegas e amigas, mas apenas uma se disponibilizou. A felicidade durou pouco devido à incompatibilidade da voluntária com as recetoras e o sofrimento continuou até uma inesperada troca de secção na empresa, que colocou Tânia no caminho de Susana, e uma semana bastou para que a nova colega se transformasse numa "amiga para toda a vida".

A jovem de 27 anos não aguentou o sofrimento da colega e entregou-se de alma e coração a um processo que desconhecia. Deslocou-se várias vezes ao Porto, fez exames psicológicos e várias análises, inclusivamente genéticas. Foram seis meses de espera que culminaram numa semana com várias injeções e, finalmente, a extração dos óvulos. Tânia não esconde que "custou um bocadinho", mas realça que "tudo passou só por ver o sorriso estampado no rosto" da amiga.

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"Sinto-me orgulhosa porque mudei a vida de várias pessoas", diz a dadora, que se mostra desde já disponível para voltar a ajudar.

Em termos familiares, quer o marido de Susana, Sérgio, quer o companheiro de Tânia, apoiaram e acompanharam todo o processo, uma história de amizade e solidariedade que não deixou de suscitar dúvidas e comentários. "Chegaram-nos a perguntar se eu ia ter um filho dela", conta Susana, lamentando "a falta de informação e sensibilização" sobre este tratamento e a oportunidade que representa para muitos casais que sofrem com este drama.

Perto de iniciar o tratamento, Susana mostra-se entusiasmada e confiante em relação ao futuro e afirma que "não há forma de agradecer um gesto destes".

"Ganhei uma amiga para toda a vida. Se tudo correr bem e tiver uma menina vou chamar-lhe Tânia, como forma de homenagear este gesto", revela.

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