Sessão solene

Cavaco insiste na necessidade de entendimentos políticos

Cavaco insiste na necessidade de entendimentos políticos

O Presidente da República recusou "a política de vistas curtas" ditada pelos taticismos, insistindo na necessidade de entendimentos políticos sobre as questões essenciais para o futuro do país.

"É tempo de abandonarmos a política de vistas curtas, ditada pelo taticismo e pelos interesses de ocasião. Precisamos de um discurso de esperança que mobilize os portugueses para os desafios que temos à nossa frente. Precisamos de professores motivados, investigadores empenhados, servidores do Estado valorizados, agentes culturais criativos, jovens empreendedores, uma comunidade de empresários e trabalhadores com espírito vencedor", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, no discurso da sessão solene do 25 de Abril, que decorreu na Assembleia da República.

Insistindo num ponto já recorrente nas suas intervenções, o chefe de Estado voltou a dizer que é difícil compreender que "agentes políticos responsáveis não consigam alcançar entendimentos sobre questões essenciais para o nosso futuro coletivo".

"Sempre que estivemos unidos, estivemos mais próximos dos ideais de abril. Não é por acaso que o espírito de compromisso e de entendimento entre as diferentes forças políticas está na base das regras do sistema democrático consagradas na nossa Constituição. Não se trata de confundir a abertura ao compromisso com uma unanimidade de pontos de vista, nem com uma neutralização da dinâmica de alternância que é própria das democracias", declarou.

Numa intervenção com cerca de oito páginas, com a primeira parte dedicada às conquistas de Abril, Cavaco Silva recusou também que o dia 25 de Abril tenha "proprietários" ou sirva de "arma de arremesso na luta política".

"Sem prejuízo da natural diversidade de opiniões e do confronto de ideias que é próprio de uma democracia, os desafios que Portugal enfrenta atualmente são de uma tal dimensão que não se compadecem com uma prática política que faz prevalecer a crispação e o conflito", vincou, reiterando que perante a dimensão dos desafios que se colocam a Portugal inteiro - e não apenas a um partido ou Governo em concreto - é preciso tomar "uma opção decisiva".

"Ou persistimos numa visão de curto prazo, olhando para aquilo que nos divide, ou pensamos Portugal numa perspetiva de futuro, partindo daquilo que nos une (...) E Portugal só será um país mais desenvolvido se existir um esforço coletivo para alcançarmos um compromisso de futuro quanto aos grandes desígnios nacionais", disse.

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Seguro agradece aos capitães de abril

O secretário-geral do PS apelou, esta sexta-feira, à coragem para a construção de uma "democracia de confiança, num discurso em que criticou a "mão invisível ultraliberal" e a nova "cortina de ferro" europeia que divide norte e sul.

"Obrigado capitães de Abril, obrigado pela vossa generosidade, obrigado pelo vosso desprendimento. Os capitães de Abril conquistaram por mérito próprio um lugar na História de Portugal. Nada nem ninguém pode alterar esse julgamento que a História já consagrou", disse, recebendo palmas da bancada do PS.

Numa intervenção aplaudida de pé pelos deputados socialistas, o secretário-geral do PS falou sobre os progressos registados ao longo dos últimos 40 anos, mas considerou que há valores democráticos (como o Estado social e a matriz do ideal europeu) que "estão hoje ameaçados".

PSD e CDS-PP falam num novo tempo de liberdade

O PSD alegou que, 40 anos após o 25 de Abril, Portugal está a libertar-se "de uma ditadura diferente", da asfixia financeira, enquanto o CDS-PP sustentou que o país está prestes a "resgatar a liberdade".

Na sessão comemorativa, os dois partidos da coligação no Governo assinalaram o aproximar da conclusão do atual programa de resgate e apelaram à formação de compromissos num "novo ciclo" de um "Portugal renovado".

Na sua intervenção, o deputado do CDS-PP Filipe Lobo d'Ávila, considerou que é altura de, "progressivamente, começar a corrigir as injustiças que o tempo do resgate causou" e apontou a "moderação fiscal" como uma necessidade, antes de defender a abertura de um "ciclo de compromisso".

Por sua vez, o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, apelou à "convergência na diversidade" e dirigiu-se em especial ao PS, argumentando que "numa democracia madura nunca há 'divergências insanáveis' quando dois portugueses ou dois partidos debatem o futuro do país".

Jerónimo critica Governo

O secretário-geral do PCP descreveu o 25 de abril de 1974 como um "ato de libertação" e processo "mais moderno e avançado" da história contemporânea de Portugal, mas deixou críticas, na sua intervenção no parlamento, ao atual Governo.

"Uma política e um Governo que estão a dar cabo do presente da juventude estão condenados à derrota e a não ter futuro", declarou Jerónimo de Sousa, na sua intervenção.

Na sessão solene, PCP e "Os Verdes" traçaram uma retrospetiva sobre a revolução de 1974, elogiando por exemplo os capitães de Abril, mas deixaram fortes críticas ao rumo político atual do país.

BE diz que democracia não é hipotecável

Já a deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua disse que a democracia que o 25 de Abril de 1974 trouxe a Portugal não é hipotecável "nas mãos dos credores".

"Erguemos a voz que Abril nos deu para, aqui e hoje, dizer que a Constituição do nosso povo, os seus direitos, a sua soberania para escolher o futuro, não é hipotecável nas mãos dos credores", assinalou a bloquista, que falou em nome do partido no parlamento na sessão solene dos 40 anos da revolução de Abril.

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