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Manuel Alegre acusa primeiro-ministro de ser insensível à voz da rua

Manuel Alegre acusa primeiro-ministro de ser insensível à voz da rua

O histórico socialista Manuel Alegre acusou esta sexta-feira o primeiro-ministro de "insensibilidade" em relação às manifestações e "ao desespero dos portugueses", o que considerou ser "muito perigoso em democracia", alertando para "situações extremas de rutura".

Questionado sobre se os milhares de pessoas que hoje desfilaram na Avenida da Liberdade, em Lisboa, para assinalar os 40 anos da revolução do 25 de Abril, o antigo deputado socialista acusou o Governo de ser insensível.

"Já estiveram milhares e milhares de pessoas muitas vezes na rua. Este Governo, e sobretudo o primeiro-ministro, é totalmente insensível à voz da rua e à voz da opinião pública e isso é muito grave, porque pode levar a situações incontornáveis", considerou Manuel Alegre, que assistiu ao final da tarde em Lisboa a uma conferência sobre "O 25 de Abril visto de fora", com a participação do antigo Presidente da República Mário Soares e o ex-Presidente brasileiro Lula da Silva.

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Alegre acusou o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de julgar que "a democracia começa e acaba no dia das eleições", mas, advertiu, "há muitas outras formas de viver e de praticar a democracia".

"E quando um governo se fecha e não ouve a voz do povo, isso pode levar a situações extremas de rutura, que nunca se sabem quando começam e como podem acabar", sustentou, em declarações aos jornalistas.

Passos Coelho, considerou, "nunca tem em conta a expressão da vontade popular, está mais preocupado com o que pensam os credores e a 'troika'" e está "mais preocupado em agradar aos credores do que em atender à voz da opinião pública e ao desespero e à angústia dos portugueses", o que, na sua opinião, "já está a criar uma rutura muito grande no país".

"O mais grave é a insensibilidade em relação à voz da rua e ao sofrimento das pessoas. Isso é muito perigoso em democracia", alertou.

O atual Governo, acrescentou, "está a fazer uma política que atinge, na sua essência e na sua substância, as grandes transformações sociais, o Estado social" e "não tem em conta os problemas do desemprego, atinge os salários da função pública, corta nas pensões dos reformados".

"Nunca vi um governo que governasse desta maneira, contra a juventude, contra os idosos, e sobretudo, num Estado democrático, contra os próprios valores e o espírito do 25 de Abril", lamentou.

Sobre a homenagem a Salgueiro Maia, que decorreu esta manhã no largo do Carmo, e onde esteve presente, Manuel Alegre disse ter sido "uma manifestação muito genuína e espontânea, muito popular".

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