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Todos os espaços têm a sua função no Creoula

Todos os espaços têm a sua função no Creoula

Qualquer um que tenha estado quatro horas de vigia pode achá-lo monótono e até aborrecido, no entanto, esta é fundamental: uma boa vigia poderia ter dado outro fim ao Titanic. «A vigia é essencial» conta o Imediato Lourenço. Mesmo com o surgimento do radar que assinala a existência de outros navios ou bóias, «há objectos que só se detectam a olho nu, bem como a distância e a direcção do navio avistado», revelou o marinheiro Sousa. Quanto às vantagens que traz, «permite-nos estar sozinhos, sossegados». Já o marinheiro Jesus afirma que «a piada está nos golfinhos, baleias e tartarugas que se avistam».

A função do vigia associa-se à proa do navio por ser o espaço onde melhor se vê o que acontece à nossa volta. O vestuário fica dependente das condições atmosféricas, já os binóculos e o rádio são sempre obrigatórios.

Onde antes havia uma coberta, encontra-se agora a biblioteca, «ponto de encontro social», segundo Idoya Rey, jornalista de "El Comercio".

Apesar de «pequeno e desordenado é um espaço muito confortável e fresco». Para quem quiser ler ou simplesmente folhear os livros que aqui se encontram basta pedir ao Cabo Torres, o responsável pela biblioteca. «Todos os anos, faz-se o registo e arrumam-se nas estantes os novos livros oferecidos. Contudo os pedidos de leitura são escassos», explicou o Cabo. A colecção conta actualmente com cerca de 500 livros.

Nestas semanas a biblioteca está a ser ocupada pela redacção do periódico Alvorada, projecto que reúne alunos portugueses e espanhóis com o objectivo de descrever o que acontece a bordo do Creoula. Idoya diz tratar-se de um grupo de «pessoas muito diferentes mas todas curiosas e com uma inquietude que se reflecte na escrita».

Além disso, salienta a «frescura que trazem» e que lhe permite também a ela aprender.

Tal como o navio precisa de motor, os marinheiros precisam de se alimentar. As refeições são servidas à hora marcada e sempre alertadas no Equipamento de Transmissão de Ordens (ETO). Logo no início da viagem, o Comandante Cardoso alertou, «se há um espaço que nunca pode deixar de funcionar é a cozinha». Pode surpreender que se consiga cozinhar para cem pessoas num espaço tão reduzido. No entanto, há uma organização distinta entre zona de preparação, confecção e lavagem.

Cozinhar a bordo não é fácil, o navio adorna, as panelas balançam e, sem cuidado, o almoço pode cair ao chão. A Marinha, responsável pelo abastecimento do Creoula, faz as ementas para cada três meses, sendo estas ajustadas consoante as condições do mar. «Ainda ontem íamos fazer peixe cozido e devido à ondulação teve de ser peixe assado», disse Rodrigues, um dos cozinheiros. O Cozido à Portuguesa torna-se impossível, uma vez que «tudo o que envolva água a ferver é complicado». O mais difícil «são mesmo as batatas fritas». Rodrigues acalma ainda os ânimos, «há sempre jantar, pode é haver menos clientes», referiu com um sorriso.

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