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Amigos e familiares decisivos para parar violência

Amigos e familiares decisivos para parar violência

Os sinais de que alguém está a ser vítima de violência costumam ser facilmente detetáveis. Porém, consciente ou inconscientemente, muitas vezes, as pessoas acabam por ignorá-los, permitindo, tácita ou voluntariamente, que a situação de abuso se prolongue, atirando a vítima para uma espiral de solidão e sofrimento.

"O silêncio facilita a existência e a continuação da violência", alerta a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV). Já o contrário, o alerta e o apoio de um amigo ou familiar, "pode ser o início do fim da violência".

Os sinais mais evidentes de atos de violência são os físicos: lesões físicas (hematomas, cortes ou queimaduras) para as quais a vítima não consegue apresentar uma explicação plausível. Depois há toda uma série de comportamentos e emoções que podem indiciar uma relação abusiva: apatia, estar anormalmente nervoso ou deprimido, afastamento em relação a amigos e familiares e o desinteresse por atividades que antes apreciava. Já no caso específico das crianças, convém relevar as quebras no rendimento escolar, a recusa ou medo de ficar sozinha com um adulto, a depressão, as mudanças bruscas de comportamento e de humor, os comportamentos agressivos, as fugas de casa e o absentismo elevado que pode ser resultado de vergonha ou para esconder lesões.

Também no companheiro agressor se podem desvendar tendências violentas quando, por exemplo, ele desvaloriza e humilha o parceiro ou parceira em frente de terceiros, se é autoritário e dá ordens constantemente, e se controla a vida social e financeira do parceiro.

Como ajudar uma pessoa amiga

"A ajuda inicial de um amigo ou amiga ou de um familiar pode ser crucial para que a vítima de violência doméstica fale e peça ajuda para tentar sair da situação de violência em que vive e com que tem de lidar sozinha", garante a APAV. Partilhar o problema com um amigo ou com uma organização de apoio ajuda a retirar as vítimas do isolamento. Por isso, a vítima deve ser incentivada a procurar apoio e informação, dando-lhe confiança para agir. Mas, muitas vezes é difícil conseguir que seja ela a tomar a iniciativa.

Desde 2000 que a violência doméstica constitui um crime público. Ou seja, não depende da queixa da vítima. Todos podem denunciar situações abusivas e a partir do momento em que o Ministério Público toma conhecimento delas é obrigado a promover a abertura de um processo. Por isso e caso a vítima esteja relutante em apresentar queixa, o amigo ou familiar devem alertar as autoridades e denunciar o crime numa esquadra da PSP, porto da GNR ou diretamente no Ministério Público.

A APAV alerta que "deixar uma relação violenta pode ser difícil, perigoso e demorar tempo". Por isso, antes de agir, convém tentar perceber qual o melhor tempo e modo para que a denúncia não tenha como consequência imediata o agravamento da situação da vítima. As organizações de apoio têm aqui um papel fundamental pois têm capacidade de aconselhar a melhor maneira de agir de modo a minimizar potenciais represálias, por exemplo, oferecendo alojamento numa casa abrigo secreta onde a vítima se poderá refugiar após ter apresentado queixa.

Sinais de violência

Sinais físicos - Lesões físicas como cortes queimaduras e hematomas para os quais a vitima não tem explicação plausível.

Sinais psicológicos - A nível emocional, a apatia, o estar anormalmente nervoso ou deprimido, o afastamento em relação a familiares e amigos e apresentar desinteresse sobre atividades que antes apreciava são indicações de que a vítima poderá estar a sofrer violência.

Crianças e jovens - No caso específico dos mais novos, os familiares, educadores e professores devem estar atentos a quebras no rendimento escolar, à recusa ou medo de ficar sozinha com um adulto, sinais de depressão, mudanças bruscas de comportamentos e humor, comportamentos agressivos, fugas de casa e absentismo elevado e faltas regulares às aulas.

No agressor - Desvalorizar e humilhar a parceira perante terceiros, ser autoritário, dar ordens constantemente e controlar a vida social e financeira.

Apoiar

Incentivar a partilha - Tentar com que o amigo ou familiar partilhe o problema, primeiro com alguém conhecido e depois com uma organização de apoio às vítimas.

Dar confiança - Muitas vezes as vítimas ficam numa situação de apatia e com uma enorme perda de autoestima que, no limite, até pode levar a uma autoculpabilização pelos atos de violência sofridos. É preciso dar-lhe confiança e fazer com que ela perceba que a culpa está inteiramente do outro lado e que é necessário denunciar a situação e fazer queixa do agressor.

Associações de apoio - Há vários organismos públicos e privados disponíveis para auxiliar as vítimas: APAV (Telefone: 116 006); Serviço de Informação às Vítimas de Violência Doméstica (800 202 148), UMAR (218 867 096), Linha Nacional de Emergência Social (144).

Autoridades policiais - Contactar qualquer esquadra da PSP ou posto da GNR.

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