Conferências de Matosinhos

Leixões quer crescer mas Câmara avisa que terá de negociar

Leixões quer crescer mas Câmara avisa que terá de negociar

Comunidade Portuária da APDL diz que chegou a altura da desmaritimização de Leixões. Autarca avisa que crescimento terrestre terá de ser negociado.

Mais do que transporte, o Porto de Leixões tem de ser capaz de oferecer soluções de transporte, explica o presidente da Comunidade Portuária da Administração dos Portos do Douro e Leixões (APDL). Isto implica a diversificação de meios de transporte e o acrescento de valor à carga, duas qualidades que, na Península Ibérica, apenas Matosinhos e Barcelona possuem. Por isso, garante o responsável, a área de influência de Matosinhos é hoje de 50 milhões de pessoas.

"Matosinhos está no centro desta mancha Atlântica. É equidistante, o que é uma vantagem concorrencial em termos de custos. E consegue juntar no seu território todas as soluções de transporte possíveis: marítima, aérea, ferroviária e rodoviária", afirmou Jaime Vieira dos Santos na conferência "Matosinhos: Mar de oportunidades", que ontem se realizou no Terminal de Cruzeiros de Leixões.

Para o presidente da Comunidade Portuária, esta é "uma oportunidade clara para a cidade e para a Área Metropolitana". Mais ainda quando conjugada com a Plataforma Logística de Leixões e a que já existe no Aeroporto de Sá Carneiro, que são fundamentais para se adaptarem aos modernos padrões de consumo e "transformar cargas enquanto mudam de transporte".

Vieira dos Santos lembra que o "cluster" da logística e transportes de Matosinhos gera 280 mil postos de trabalho diretos e indiretos. Com 184 países como destino e 35% de todas as exportações nacionais, Leixões "é um dos maiores geradores de riqueza e facilitadores de gerar riqueza do Norte". Porém, do mundo "brick" (tijolo) estamos a passar para um mundo "click" (digital, binário" e para dar uma adequada resposta a esta nova fase é preciso apostar no conhecimento e nas novas tecnologias, bem como nas plataformas logísticas para acrescentar valor à carga. "Da maritimização para a desmaritimização e para a entrada em terra", explicou o presidente da Comunidade Portuária.

Sofrer diariamente

O presidente da Câmara de Matosinhos reconheceu que o Porto de Leixões "tem o desafio de crescer e tem ideias" mas alertou que "tem de crescer com diálogo, para que as soluções sejam boas soluções". Guilherme Pinto queixou-se de que Matosinhos "muito sofre e sofre diariamente" com Leixões e com os condicionamentos que provoca na cidade.

"É o sal da economia do Norte, mas além de Matosinhos ninguém quer saber porque não é problemas deles", lamentou. Para o autarca, a APDL "tem de perceber que todas as grandes empresas têm políticas de integração no concelho". Por isso, avisa: "O crescimento de Leixões para fora dos seus limites tem de ser negociado com a Câmara".

Guilherme Pinto reconhece que houve um grande esforço nos últimos anos e que o impacto dos três mil camiões diários foi atenuado com a nova via de acesso mas que "não está tudo bem". "Tem de haver maior integração urbanística", garante. Se a APDL tivesse "mais autonomia, mais capacidade de decisões" seria mais fácil. "Sendo dirigida por Lisboa é muito complicado. Às vezes é preferível tirar um dente a falar com Lisboa", comparou. E exemplificou:

"Andei a pressionar as petrolíferas para tirar os pipelines para se fazer o passadiço de acesso a este terminal. Tiraram, mas agora a APDL diz--me que é muito caro", criticou o autarca. Presente no mesmo painel, o presidente do Conselho de Administração da APDL explicou que o que está a atrasar a abertura do acesso é o facto de aquela ser uma área internacional que tem de obedecer a regras muito rígidas. "Só quando estiver corretamente separada da área internacional é que poderá ser aberta. No ano que vem vamos ter o acesso", prometeu Brogueira Dias.

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