Conferências de Matosinhos

Surf ainda não tem a promoção que merece

Surf ainda não tem a promoção que merece

Potencial da praia de Matosinhos como destino internacional para ensino de surf ainda está por explorar.

Matosinhos é dos melhores destinos mundiais para aprender surf, garantem os especialistas. Tem praia, ondas e infraestruturas com um enorme potencial. Porém, precisa de uma estratégia concertada de promoção internacional para se afirmar como tal, defendem as escolas instaladas naquela praia.

"É um destino de excelência para aprender e para concretizar o sonho de surfar uma onda", garante Marcelo Martins, da Onda Pura. É uma praia "fechada" e protegida pelos molhes do Porto de Leixões o que lhe dá "condições únicas". Permite selecionar o tipo de ondas, das pequenas às mais altas, e uma grande proximidade dos instrutores. "Isto faz com que a experiência se torne muito mais agradável e com uma taxa de sucesso elevada", afirma Marcelo, exemplificando com os alunos Erasmus que cada vez mais procuram aulas de surf.

Às ondas ainda há que juntar as infraestruturas das escolas que foram recentemente melhoradas, lembra Rodrigo Lacerda, da Godzilla Surf"s Cool. "Deve ser dos melhores sítios de Portugal inteiro para aprender", assegura. Todavia, lamentam os surfistas, ainda não está a ser aproveitado como deveria.

"A promoção está a ser feita individualmente. Cada escola, com as suas limitações, faz o que pode. Era preciso uma estratégia concertada das autoridades públicas, afirma Rodrigo. Marcelo afina pelo mesmo diapasão: "O surf é uma oportunidade que Matosinhos e o Porto devem agarrar e apostar. A sua promoção institucional ainda está longe do que merece".

É que, argumentam, todos teriam a ganhar com isso, porque as pessoas iriam surfar a Matosinhos, mas provavelmente iriam visitar e pernoitar no Porto. E essa proximidade à Invicta é também uma das grandes vantagens da praia. "Pode-se passar uma semana espetacular na Costa Vicentina, mas depois de surfar o que há para fazer?", questiona Marcelo. Muito pouco, ao contrário do que sucede em Matosinhos.

"O Grande Porto tem uma oferta cultural que poucos destinos de surf têm. Aqui, podem vir para umas férias desportivas e complementar essa atividade com uma oferta cultural enorme: as caves de vinho do Porto, a arquitetura, a história, exposições, concertos...", exemplifica.

Por último, também poderia haver uma melhor limpeza das praias. "Não basta limpar no verão. Há turistas o ano todo e vêm de propósito ver a praia e o mar. Temos de lhes dar uma boa experiência e não uma praia imunda", critica Rodrigo.

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