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Um terço das assassinadas já se tinha queixado

Um terço das assassinadas já se tinha queixado

Nove das 29 mulheres assassinadas no ano passado já tinham denunciado atos de violência anteriores, afirma o Relatório Anual do Observatório das Mulheres Assassinadas da UMAR (União Mulheres Alternativa e Resposta).

O documento revela ainda que dois terços das vítimas mortais apresentavam um historial de relações agressivas, passadas ou em curso.

O relatório ressalva que, além dos 29 homicídios consumados, também ocorreram 39 tentativas de assassinato de mulheres em 2015. E acrescenta que, do total de vítimas (68) dos dois tipos de crime, 26 já tinham apresentado uma denúncia junto das autoridades competentes.

Todavia, apesar do conhecimento estatal de atos de violência, eventuais ou já concretizados, as mulheres acabaram por sofrer agressões que, em nove casos, acabaram mesmo por ser fatais.

Portanto, o relatório da UMAR considera ser necessário pensar e estudar como poderia "o sistema de apoio, proteção e repressão ter agido de forma a evitar algum destes femicídios ou tentativa dos mesmos".

Outra das conclusões é que "a maioria das situações registadas surgem como o culminar de uma escalada de violência perpetrada no seio de uma relação de intimidade". Olhando para os números, verifica-se que 25 das 29 mulheres assassinadas mantinham (15) ou mantiveram (10) um relacionamento íntimo com o agressor.

Além disso, em 66% dos casos que resultaram na morte da vítima, vizinhos, familiares ou amigos reconheceram que já se tinham verificado episódios anteriores de violência doméstica. Daí o apelo da UMAR para "valorar as situações de violência doméstica de que temos conhecimento".

"Em muitas das situações noticiadas há alguém que sabia, que tinha ouvido relatos, que... Não obstante, não ocorreu qualquer intervenção no sentido de uma minimização do risco e do evitamento do crime", lê-se no relatório. Por isso, "há que encarar a violência doméstica tal como ela é: uma realidade diária, inserida na criminalidade violenta e que destrói a vida das vítimas, dos seus familiares e de cada um de nós, afetando assim toda a vida em sociedade".

Mais 47% pulseiras eletrónicas

Segundo o gabinete do Ministro-Adjunto, 83% das fiscalizações através de pulseiras eletrónicas em 2015 ocorreram como medida de coação em processo por violência doméstica. Mais concretamente, 461 agressores ou suspeitos de agressões em contexto de violência doméstica foram monitorizados remotamente através de uma pulseira eletrónica, um aumento de 47% face a 2014.

Ainda segundo a mesma fonte, no ano passado, havia 372 reclusos condenados ou detidos por violência doméstica, mais 85 do que no ano anterior.

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