Desenvolvimento

Cidades médias essenciais para a riqueza do país

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Regiões do interior acenam com oportunidades de trabalho e qualidade de vida

Contrariando a tendência de redução de população do interior do país, as cidades de média dimensão têm acolhido gente das áreas rurais e posicionam-se como polos de desenvolvimento regional. O JN perguntou aos autarcas de Viseu (Almeida Henriques), Vila Real (Rui Santos) e Guarda (Álvaro Amaro) quais pontos fortes e fracos de cada cidade no que toca à capacidade de atração de pessoas e investimento. Apesar das tentativas, não foi possível chegar à fala com Hernâni Dias, de Bragança.

A qualidade de vida, longe do trânsito e da poluição das grandes cidades, a maior facilidade em coordenar a vida familiar com o trabalho, a quantidade e qualidade de infraestruturas de saúde, educação e cultura, a facilidade de acesso aos centros urbanos maiores trazida por uma boa rede viária ou a reduzida criminalidade são invocados pelos autarcas. São argumentos destinados a convencer pessoas, em especial jovens famílias, a radicarem-se numa cidade média. Para o fazerem, contudo, precisam de trabalho e os autarcas asseguram estarem a fazer tudo o que está ao seu alcance para atrair investimento.

Todos têm "vias verdes" ao investimento, técnicos especializados para acompanhar os investidores, vendem terrenos em parques industriais a preço simbólico e, graças às instituições de ensino superior que albergam, dispõem de mão de obra jovem e qualificada. Vila Real e Guarda partilham outro argumento, este de ordem geográfica. A cidade transmontana está no centro geodésico do Norte do país e a beirã está a meio caminho entre Lisboa e Madrid.

Além disso, todas estruturaram programas de benefícios fiscais. "Em função do valor do investimento e o do número de postos de trabalho a criar, podemos até chegar à isenção de taxas e IMI", exemplifica Rui Santos. Viseu permite recuperar todas as taxas e impostos municipais em três anos, em função dos empregos criados, e está a preparar medidas de estímulo como incluir nas refeições escolares uma certa percentagem de produtos locais, diz Almeida Henriques. "Tudo o que podia mobilizar para estimular o investimento, já mobilizei, mas há limites à capacidade de intervenção local", garante Álvaro Amaro.

Três medidas estruturantes

Nesta linha, os autarcas elencaram os vários investimentos privados que têm atraído para os municípios. Mas, dizem, não chega. "O investimento é crítico, se houvesse um empurrão da agência de investimento nacional, teríamos mais condições para atrair novas empresas, mas, nos últimos três anos e meio, nunca nos trouxe uma proposta de investimento", critica Almeida Henriques.

O mesmo acontece na Guarda, assegura Álvaro Amaro, que avança um roteiro em três passos para que Portugal se desenvolva de forma harmoniosa. O primeiro é uma política fiscal que diferencie as empresas do interior (e não só o investimento), na qual a taxa de IRC parta de valores simbólicos e suba com o tempo. O segundo é definir, nas instituições de ensino superior do interior, quais os cursos com empregabilidade e qualidade reconhecida e limitar o número de vagas oferecidas nesses cursos pelas instituições do litoral. O terceiro é a relocalização no interior de direções-gerais ou institutos da administração central.