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Carro já há. Falta um lar para as gémeas da Maia

Carro já há. Falta um lar para as gémeas da Maia

Apoio solidário ajudou a família a comprar veículo adaptado às limitações das duas irmãs de nove anos.

Tudo começou a partir de uma pequena campanha de "bonequinhas de pano" vendidas a um euro. Carla Martins, de 46 anos, jamais sonhou que, a partir dos pequenos materiais tão delicadamente trabalhados, despertasse um movimento solidário que mudou a sua vida.

Hoje, resiste a uma batalha, de olhar esperançoso, sonhando com autonomia e conforto para as duas filhas de nove anos, portadoras de displasia epifisária múltipla e pseudoacondroplasia.

Após uma espera incessante com "muitas burocracias", a aquisição de um carro adaptado veio fornecer algum alívio à família monoparental. Carla aponta para a matrícula e, com um modesto sorriso no rosto, explica a presença das letras "VN" como um indício de "Vida Nova".

"Pequena Katrina", diz, agitada, umas das gémeas, falando do batismo do veículo. "O carro era o sonho delas, porque ficavam sempre em casa com o irmão quando eu tinha de tratar de alguma coisa", recorda a mãe, que conta com o apoio do filho de 18 anos.

Anteriormente, as gémeas eram transportadas em assentos de criança e retiradas ao colo, o que lhes provocava muito desconforto. Agora, podem utilizar as próprias cadeiras, acompanhar a família e frequentar as consultas tranquilamente. Carla descreve, emocionada, a primeira viagem feita na carrinha nova: levou os filhos à praia. Nesse dia, "as gémeas andaram nos passadiços e até foram ao parque com a ajuda do irmão".

À medida que a época natalícia se aproxima, ocupa o pouco tempo disponível com a sua campanha de "bonequinhas" e "pinheirinhos de natal" feitos à mão, na esperança de conseguir pagar a totalidade do veículo.

Carla Martins não se detém nas palavras de agradecimento ao "Jornal de Notícias", pelo donativo de 2500 euros, assim como aos leitores do JN pelo apoio que tem dado à família.

Sem casa

A luta de Carla não terminou e deve agora enfrentar um novo desafio que a está a desgastar. "Os senhorios estão a precisar da casa e temos de ir embora", revela, preocupada, sem conter as lágrimas. "A última coisa que esperava era ter de sair daqui. Uma casa no rés-do-chão perto de tudo, onde foram feitas duas rampas. Deixou-me assustada, porque as rendas estão muito altas para qualquer pessoa, quanto mais para mim", desabafa.

Carla já apresentou um pedido à câmara, que se mostrou recetiva. "Já tive uma reunião e ficaram de marcar uma visita para perceberem o tipo de casa que necessitamos", conta. Num sorriso forçado, dirige o seu olhar para as duas meninas que sentem inevitavelmente o desconsolo da mãe e a envolvem num lento e caloroso abraço.

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