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“Bibi” nega abusos a “Joel”

“Bibi” nega abusos a “Joel”

Carlos Silvino ("Bibi"), principal arguido do processo Casa Pia, reiterou em tribunal que nunca abusou sexualmente de "Joel", o jovem que levou ao despoletar da investigação.

"Nunca toquei neste rapaz, ajudei na alimentação, dava-lhe dinheiro porque tinha uma mãe alcoólica e ligava-lhe para ele ir comigo a festas", declarou Carlos Silvino no Tribunal de Monsanto, em Lisboa.

A relação entre os dois degradou-se quando "Joel" (nome fictício) alegadamente quis "lixar" Carlos Silvino, dando-lhe a entender que sabia que o antigo motorista da Casa Pia levava jovens para serem abusados sexualmente e que, com esse conhecimento, o ia prejudicar.

Aí, Carlos Silvino disse que deixou de lhe dar dinheiro. Referindo-se a factos constantes no processo apenso ao processo principal dos abusos sexuais na Casa Pia, Carlos Silvino negou alguma vez ter tido relações sexuais com o jovem ou ter manifestado essa intenção, nomeadamente durante uma noite em que ambos dormiram na casa de amigos de Carlos Silvino em Vila Viçosa.

Contradição sobre Vila Viçosa

Em relação à noite passada em Vila Viçosa, Carlos Silvino contradisse declarações anteriores ao referir que dormiu num quarto diferente do de "Joel", quando tinha afirmado que durante a noite "Joel" foi dormir num colchão no chão junto à sua cama, por ter "medo da trovoada".

Esta quinta-feira, o ex.motorista afirmou não se lembrar de "Joel" ter dormido ao pé de si, mas garantindo que não houve qualquer contacto sexual entre os dois.

"Bibi" afirmou ter "testemunhas" que viram "Joel" a prostituir-se na zona do Conde Redondo, em Lisboa, acusando também Adelino Granja, advogado que representa o jovem e esteve presente no tribunal, de estar envolvido nos meios da prostituição de menores.

Quanto ao outro jovem em que assenta o processo apenso ao processo principal de pedofilia da Casa Pia, que é surdo-mudo, Carlos Silvino afirmou nunca ter tido contactos com ele. "Não sei linguagem gestual, nunca lhe dei banho e nunca lhe dei dinheiro", declarou, referindo-se a factos constantes da acusação.

Carlos Silvino voltou a assumir perante o colectivo de juízes ter transportado jovens para encontros sexuais e disse que todos os arguidos, menos o ex-provedor adjunto da Casa Pia Manuel Abrantes, estiveram na casa de Elvas onde alegadamente ocorreram abusos sexuais envolvendo alunos da Casa Pia de Lisboa.

"Bibi" responde por mais de 600 acusações de abusos sexuais. No processo Casa Pia, a maioria das suas intervenções foi no sentido de implicar os outros arguidos: o apresentador de televisão Carlos Cruz, o médico Ferreira Diniz, o embaixador Jorge Ritto, o advogado Hugo Marçal, o ex-provedor adjunto Manuel Abrantes e Gertrudes Nunes, proprietária da casa de Elvas onde alegadamente ocorreram abusos sexuais.