Casa Pia

Bibi volta atrás e diz que arguidos da Casa Pia "são todos inocentes"

Bibi volta atrás e diz que arguidos da Casa Pia "são todos inocentes"

Carlos Silvino afirma agora que mentiu e que tudo o que disse no processo Casa Pia foi sob o efeito de medicação, induzido pela PJ e por sentir "pena dos rapazes". Ricardo Sá Fernandes, o advogado de Carlos Cruz, disse ao JN que o ex-apresentador "está muito entusiasmado".

"São todos inocentes!", clamou Carlos Silvino numa entrevista à revista Focus, que foi parcialmente transmitida pela SIC. A entrevista foi dada ao jornalista Carlos Tomás, que é também autor de um livro sobre o processo, escrito em 2004 em colaboração com a ex-mulher de Carlos Cruz.

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Condenado a 18 anos de prisão em Setembro, o principal arguido do processo Casa Pia alegou ter implicado os restantes acusados porque esteve sempre sob o efeito de medicação e debaixo da pressão da Polícia. "A bem dizer, tive que dizer", afirma Bibi numa entrevista em que por vezes parece meio confuso no discurso. Carlos Silvino disse ainda que mentiu por "pena dos rapazes que tinham levado porrada". E fala em ter sido obrigado, pela Polícia, a beber "um copo de água que eu não sabia a que lá estava dentro". "Sentia-me mal e transpirava por todo o lado", sublinha.

Carlos Silvino alega que só conhecia dois dos arguidos, que não conhecia os locais onde os abusos terão ocorrido e que nunca levou crianças a qualquer um desses sítios. Sobre o sucedido na casa da Avenida das Forças Armadas, por exemplo, Bibi garante: "Tive que dizer o que estava escrito". E defende que obrigaram rapazes a assinar papéis "sem lerem".

Minutos depois da transmissão do excerto da entrevista, Ricardo Sá Fernandes, advogado de Carlos Cruz, disse ao JN que as declarações de Carlos Silvino não lhe causaram qualquer surpresa. "Sempre acreditei que mais tarde ou mais cedo o senhor Carlos Silvino e os jovens que foram envolvidos neste processo haviam de repor a verdade", considerou.

O advogado disse ao JN que momentos antes falara com Carlos Cruz e que o ex-apresentador estava "muito entusiasmado, claro". "Mas não estamos surpreendidos", repetiu, acrescentando: "Sabíamos que quando a pressão baixasse, estes homens haviam de falar. E vai haver mais gente a falar, eu tenho a certeza". O advogado vai requerer a audição de Carlos Silvino na fase de recurso do processo Casa Pia.

Já Catalina Pestana, em declarações à Renascença, referiu que Silvino "não está a trabalhar por conta própria. Não fiquei surpreendida, porque não o levo a sério . Para mim, isto é uma cena de teatro, patética, com um encenador de muito má qualidade", acusa a ex-provedora da Casa Pia.

O julgamento do processo Casa Pia relativo a abusos sexuais de menores da instituição terminou, ao fim de quase seis anos, com um acórdão que condenou seis dos sete arguidos a penas de prisão e ao pagamento de indemnizações.

Carlos Cruz foi condenado a sete anos de prisão, igual pena foi aplicada ao médico João Ferreira Diniz, o embaixador Jorge Ritto foi condenado a seis anos e oito meses, Hugo Marçal a seis anos e dois meses, Carlos Silvino foi condenado 18 anos de prisão e Manuel Abrantes, ex-provedor adjunto da Casa Pia, a cinco anos e nove meses. Gertrudes Nunes, dona da casa de Elvas, foi absolvida do crime de lenocínio.