regresso ao parlamento

Pedroso escolhe Negócios Estrangeiros

Pedroso escolhe Negócios Estrangeiros

Paulo Pedroso retoma o lugar de deputado por Setúbal na próxima semana, substituindo Vítor Ramalho, que vai presidir ao INATEL. O ex-ministro tomará assento numa comissão parlamentar que não toca em política interna

No rescaldo da sentença do Tribunal da Relação que se pronunciou pelo pagamento por parte do Estado de 131 mil euros ao antigo governante socialista, Paulo Pedroso fez saber, ontem, que voltará ao Parlamento, assumindo o mandato para o qual foi eleito por Setúbal, em 2005. Irá fazer parte da Comissão de Negócios Estrangeiros, onde Vítor Ramalho era suplente.

A nota do líder parlamentar, Alberto Martins, dirigida em nome de Pedroso ao presidente da Assembleia da República (AR), Jaime Gama anuncia "que cessaram as razões, por este em tempo invocadas, de impossibilidade temporária para o exercício do mandato de deputado". O porta-voz do PS, Vitalino Canas, soube um pouco mais tarde.

Colocado em lugar não elegível na lista do PS nas últimas eleições legislativas, numa carta lida em Março de 2005 na sessão plenária, Pedroso explica que não assume o lugar enquanto não estiverem esclarecidas e desfeitas todas as suspeitas que o envolvem no caso da "Casa Pia".

O ex-ministro do Trabalho e da Solidariedade Social que esteve em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Lisboa durante quase cinco meses (de Maio a Outubro de 2003) afastou-se da política nacional e esteve longos meses fora de Portugal.

Foi consultor do Fundo Social Europeu para a Roménia e a Bulgária - estados-membros que aderiram à União Europeia em 2007 -, cujos contratos terminam só em Novembro.

Entretanto, o ex-governante casou em segundas núpcias com a também deputada socialista por Setúbal, Ana Catarina Mendes, e manteve o lugar de professor no ISCTE - Instituto das Ciências do Trabalho e da Empresa - onde se licenciou em Sociologia.

Sempre que um deputado da lista sadina suspendeu o mandato e foi sondado, Pedroso optou por se manter afastado, mas face à renúncia de Vítor Ramalho - que toma posse depois de amanhã como presidente do INATEL -, só lhe restava assumir ou abdicar.

"É o fim de um ciclo em que fiz tudo o que me foi possível para que toda a verdade fosse apurada", disse ontem à Lusa, cinco anos e meio depois de ter sido notificado em S. Bento e detido.