Alcochete

Aeroporto vai criar uma cidade em seu redor

Aeroporto vai criar uma cidade em seu redor

A futura cidade aeroportuária, que poderá vir a ocupar uma área de 1200 a 1700 hectares em torno do aeroporto de Alcochete, não deve estruturar-se numa lógica de "pronto-a-vestir", antes deve ser suficientemente flexível para se "ir fazendo", à medida das "necessidades demonstráveis".

É este o caminho apontado no estudo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que neste particular contou com a colaboração do ex-ministro Augusto Mateus. Trata-se de promover uma "economia de aglomeração" de actividades e serviços - não apenas ligados ao sector aeroportuário - que tirem partido da mobilidade proporcionada por um aeroporto, a exemplo do que já acontece no estrangeiro. "Cidades-aeroporto" como a que se pretende erguer acolhem parques empresariais e imobiliários, zonas de actividades logísticas, pólos hoteleiros, centros de distribuição e de negócios.

O aproveitamento de sinergias é a palavra-chave e a criação de parcerias entre operadores aeroportuários, companhias de aviação e restantes operadores instrumento indispensável. O estudo do LNEC acentua o facto de as actividades e serviços não aeroportuários proporcionarem a obtenção de rendimentos que permitem baixar custos e taxas de operação, reforçando a competitividade do aeroporto.

No Campo de Tiro de Alcochete deverá ser reservada uma área de três mil a 3500 hectares, sendo 1800 afectos ao aeroporto propriamente dito. A cidade aeroportuária pode expandir-se para os 4140 hectares integrados na Zona de Protecção do Estuário do Tejo, os 3310 de terrenos do Estado ou as áreas de utilização e servidão militar. Há espaço disponível para criar também uma zona-tampão, destinada a conter a expansão urbana e assegurar a preservação ambiental.

De acordo com as mais optimistas estimativas do LNEC, o novo aeroporto cria 34800 empregos em 2030 e 58900 em 2050, sendo pouco significativo o peso do emprego indirecto. Uma definição mais clara do modelo de negócio da cidade aeroportuária, que ainda está por fazer, pode influenciar estes cálculos.

A opção por Alcochete constitui uma oportunidade para recuperar áreas afectadas pela desindustrialização dos concelhos do Barreiro, Seixal, Moita e Montijo. A concretização desde objectivo pode, no entanto, ficar comprometida se for dada prioridade à "cidade-aeroporto".

O estudo sublinha os riscos de ocorrer um fenómeno de "urbanização difusa". E alerta para a possibilidade de terrenos baratas, de servidão do aeroporto, atraírem apenas grandes superfícies comerciais e parques temáticos, desvirtuando o sentido de uma cidade aeroportuária e causando impactos negativos no tráfego rodoviário e no ordenamento do território.