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MP diz que casal McCann perdeu ocasião de provar inocência

MP diz que casal McCann perdeu ocasião de provar inocência

Kate e Gerry perderam a oportunidade de provar que nada tinham a ver com o desaparecimento da filha, Madeleine, quando eles próprios e os amigos inviabilizaram a reconstituição da noite de 3 de Maio de 2007.

A conclusão é do Ministério Público (MP) que, no despacho de arquivamento do processo, admite que os "principais prejudicados" com esta atitude "foram os arguidos McCann", que "perderam a possibilidade de comprovarem aquilo que desde a sua constituição como arguidos têm protestado: a sua inocência face ao fatídico acontecimento".

O MP admite que a investigação "foi prejudicada" devido à não realização desta diligência e explica que, caso a reconstituição tivesse ocorrido, "poderia eventualmente arredar de uma vez quaisquer dúvidas que pudessem subsistir sobre a inocência dos pais da desaparecida".

Explicando que o que se prendia era o esclarecimento de "desencontros e faltas de sintonia, quando não divergências", detectadas na análise do conjunto de depoimentos prestados, os quais necessitariam de ter sido testados e concatenados no próprio local da ocorrência", os dois magistrados responsáveis pelo despachos explicam depois o que pretendiam ver esclarecido.

A primeira dúvida prende-se com a proximidade física - real e efectiva - entre Jane Tanner, Gerry e Jeremy Wilkins (o produtor de cinema que jogou ténis com Gerry na tarde de 3 de Maio), no momento em que Jane passou por eles, e que coincidiu com o avistamento do suposto suspeito, transportado uma criança.

O MP admite ser "estranho" que ambos não tenham visto nem Jane nem o alegado raptor, apesar da exiguidade do espaço e da coincidência das horas a que alegadamente os três se cruzaram.

Segundo o MP, a reconstituição serviria ainda para perceber como se encontrava a janela do quarto onde Madeleine e os irmãos gémeos dormiam, já que Kate garante que estava aberta. "Afigurava-se necessário esclarecer se existia alguma corrente de ar, já que se menciona movimento das cortinas e pressão sob a porta de entrada do quarto", sustenta o MP.

Outra dúvida tem a ver com o controle das crianças, "uma vez que, a crer-se que tal controlo seria tão apertado como as testemunhas e os arguidos o descrevem", seria, na opinião dos magistrados, "muito difícil que se encontrassem reunidas condições para a introdução de um raptor na residência e posterior saída do mesmo, com a criança, mormente por uma janela com escasso espaço".

Por esclarecer ficou ainda o que realmente aconteceu entre as 18.45 horas e as 22 horas, quando Kate deu o alerta para o desaparecimento.

A possibilidade de ser feita uma reconstituição em Maio foi levantada em meados de Março. Na troca de emails iniciada a 20 de Março entre o coordenador da investigação, Paulo Rebelo e o policia inglês que fazia a ligação com os McCann e os amigos, foi notória a vontade de estarem presentes, mas também a imposição de condições.

Os sete amigos quiseram saber como a mesma seria realizada e "condicionaram" a sua presença às respostas da PJ. "Precisamos de uma boa razão que nos convença", escreve Rachael num dos muitos emails transcritos nas mais de 50 páginas inteiramente dedicadas à troca de correspondência entre a PJ e as testemunhas.

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