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Polícia britânica segue linhas diferentes de investigação da PJ

Polícia britânica segue linhas diferentes de investigação da PJ

A polícia britânica vai seguir as próprias linhas de investigação, diferentes das identificadas pela Polícia Judiciária e que motivaram, esta quinta-feira, a reabertura do inquérito ao desaparecimento de Madeleine McCann em Portugal.

O Ministério Público anunciou a reabertura do inquérito sobre o desaparecimento da criança inglesa Madeleine McCann, depois de a Polícia Judiciária ter apresentado novos elementos.

Uma das pistas que a Scotland Yard está a seguir é a de um avistamento na noite de 3 de maio de 2007 de um homem a transportar uma criança na Praia da Luz, perto do complexo turístico de onde a criança desapareceu.

Um retrato robô de um homem de raça branca, cabelo curto castanho e estatura média, idade entre os 20 e os 40 anos e cara sem barba foi divulgado a 14 de outubro, no âmbito de um apelo público na estação de televisão britânica BBC.

Ao mesmo tempo, a polícia descartou um outro retrato robô de um homem visto nas proximidades do apartamento por uma amiga da família McCann e considerado até recentemente como possível raptor.

O possibilidade de "um rapto planeado, o que necessitaria de reconhecimento do local" é sustentada pela presença de vários homens de "cabelo claro" nas imediações do apartamento no dia do desaparecimento de Maddie e nos dias anteriores, descritos por testemunhas como tendo aspeto escandinavo e falando alemão ou holandês.

Além dos retratos robôs de dois destes homens, foi divulgado mais dois de outros que fariam parte de um grupo que fez recolha de donativos para solidariedade junto ou dentro do complexo, e que os detetives britânicos acreditam serem fraudulentos.

Estes eram ou aparentavam ser portugueses: um teria cabelo ondulado de comprimento médio, idade entre os 25 a 30 anos e falava bem inglês, enquanto outro teria entre 40 a 50 anos, cabelo curto escuro e ligeiramente cinzento dos lados, tendo apresentado um cartão de identificação, um caderno e um livro de recibos.

O cenário possível de um roubo perturbado por Madeleine está também a ser considerado pela Scotland Yard, que quer recolher informação e falar com vítimas de uma série de furtos a apartamentos do complexo turístico entre janeiro e abril de 2007, incluindo dois no mesmo prédio onde a família McCann passou férias.

A investigação britânica começou em 2011, na sequência de um apelo público dos pais de Madeleine McCann, ao primeiro-ministro britânico, David Cameron, para lançar uma revisão "independente, transparente e completa" de toda a informação relativa ao desaparecimento da filha.

A 12 de maio de 2011, a ministra do Interior, Theresa May, com o apoio de Cameron, pediu à Polícia Metropolitana para iniciar uma revisão ao caso, invocando o "elevado interesse público" e "dimensão internacional".

Em agosto do mesmo ano, responsáveis da Scotland Yard viajaram a Portugal para se encontrarem com agentes portugueses.

Em abril de 2012 que a polícia britânica deu conta dos primeiros resultados da investigação, ao identificar "195 novas oportunidades de investigação" após analisar um quarto dos cerca de 40 documentos e pistas reunidos.

A 4 de junho foi anunciada a abertura de um inquérito formal e o desejo de inquirir "38 pessoas de interesse", número que aumentou para 41, entre os quais 15 britânicos e nacionais de mais cinco países, incluindo Portugal.

Com o "apoio total do governo britânico", a polícia pediu à Procuradoria da Coroa [homóloga britânica do Ministério Público português] para enviar uma carta Rogatória Internacional às Autoridades Portuguesas a pedir assistência em obter depoimentos relativos às linhas de inquérito que desejavam seguir.

A 4 de outubro, a Scotland Yard afirmou estar a trabalhar com nova equipa da PJ no desaparecimento de Madeleine McCann, um grupo de seis agentes da diretoria de Faro.

Revelou ainda ter enviado cartas rogatórias a outros 30 países para obter informações sobre pessoas proprietários de telemóveis cujo sinal foi identificado na área e momento do desaparecimento de Maddie, na noite de 3 de junho de 2007.

Na sequência destes apelos públicos, a Polícia Metropolitana disse ter recebido mais de 2.400 chamadas telefónicas e emails.

Estima-se que a operação britânica tenha já custado cerca de cinco milhões de libras (5,86 milhões de euros).

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