Bento XVI

Manoel de Oliveira sublinha as raízes cristãs portuguesas e europeias

Manoel de Oliveira sublinha as raízes cristãs portuguesas e europeias

O realizador falou, hoje, quarta-feira, durante o encontro do papa Bento XVI com o "mundo da cultura" no Centro Cultura de Belém, em Lisboa.

O cineasta Manoel de Oliveira destacou as "raízes" cristãs da "nação portuguesa" e de "toda a Europa", sublinhando as "terríveis dúvidas e descrenças, a que se procura opor a fé do Evangelho que move montanhas".

"Como pertencente à família cristã, de cujos valores comungo, e que são as raízes da nação portuguesa e de toda a Europa, quer queiramos quer não, [quero] saudar com profunda veneração Sua Santidade", afirmou.

Na sua intervenção, Manoel de Oliveira referiu-se à Bíblia como "tesouro inesgotável" da "cultura europeia".

"Acossados pelas especulações da razão, sempre se levantam terríveis dúvidas e descrenças, a que se procura opor a fé do Evangelho, que move montanhas", defendeu.

Manoel de Oliveira considerou que "as éticas, se não também mesmo as artes", derivam "das religiões que procuram dar uma explicação da existência do ser humano face à sua inserção concreta no cosmos".

"As artes desde os primórdios sempre estiveram estreitamente ligadas às religiões e o Cristianismo foi pródigo em expressões artísticas depois da passagem de Cristo pela terra e até aos dias de hoje", acrescentou.

Citando o padre António Vieira, quando afirmou que "terrível é a palavra 'non'", Manoel de Oliveira salientou que esse 'non' "tira a esperança, que é a última coisa que a natureza deixou ao Homem".

O cineasta fez uma referência à sua própria obra, nomeadamente aos dois filmes em que figuram anjos, "Ato da primavera", de 1962, e "Cristóvão Colombo - o Enigma", de 2007.

Neste último, afirmou, pareceu-lhe bem "introduzir o anjo da guarda, aqui o da nação portuguesa, como prévia configuração do destino, tantas vezes adverso e tantas outras favorável às acções humanas".

"Isto levou-me a repensar as figuras dos anjos fora e dentro das igrejas, parecendo-me conotadas com prefigurações dos espíritos. Ora, se os espíritos são um só, então temos nele a natureza de Deus", sustentou.

"Considerando, porém, a religião e a arte, ambas se me afiguram, ainda que de um modo distinto, é certo, intimamente voltadas para o homem e o universo, para a condição humana e a natureza divina", acrescentou.

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