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Figueira da Foz tenta recuperar "glamour" do século XX

Figueira da Foz tenta recuperar "glamour" do século XX

A 28 de Junho de 1953, o Grande Hotel da Figueira era inaugurado com pompa e circunstância. As pessoas que iam passar o Verão à Figueira da Foz juntavam-se no casino, onde havia as mais variadas actividades. Considerada a "rainha das praias" em meados do século XX, a Figueira da Foz caracterizou-se pelo "glamour" e pela importância enquanto estância balnear nas décadas de 1950 e 1960. Em 2010, o panorama mudou, e há quem se sinta saudoso dessas épocas.

Um grupo de veraneantes na casa dos 80 anos junta-se num dos chapéus-de-sol situados em frente ao Grande Hotel da Figueira (agora Hotel Mercure). Há mais de meio século que passam férias na praia da Claridade, e notam diferenças. "Há 50 anos, havia mais segurança, mais respeito e mais gente, a cidade era mais movimentada", conta um elemento do grupo, que prefere não se identificar individualmente. "Somos um grupo de beirões e transmontanos", conta uma das senhoras, entre risos. Recordam os anos glamorosos da Figueira da Foz. "Juntávamo-nos todos no casino, mas nem era para jogar, era para ter uma noite bem passada", explica uma das mulheres, professora reformada. Uma amiga, ao seu lado, recorda os cuidados que havia com a aparência, mesmo na hora de ir para a praia. "Vivi muitos anos em África, e quando cheguei à Figueira via as pessoas todas aperaltadas a irem para a praia. Eu estava habituada a que fossem o mais simples possível. Havia muito o cuidado das 'toilettes' na praia", conta.

Influência estrangeira

Luís Melo Biscaia é advogado e viveu a época de "glamour" da Figueira da Foz nas décadas de 50 e 60. Posteriormente, foi mesmo vereador da Cultura e do Turismo da Autarquia figueirense. Sobre a época em que a Figueira da Foz se afirmava como a "rainha das praias", recorda a "estância turística de primeira natureza, procurada por muitos portugueses e estrangeiros". Lembra ainda que havia um certo "glamour" devido a alguns refugiados do tempo da II Guerra Mundial, "que fizeram com que a Figueira desse um pulo na modernidade, tendo feito muita coisa válida na região".

Melo Biscaia recorda ainda o tempo em que foi vereador da Cultura e Turismo da Câmara Municipal da Figueira da Foz, na década de 1990. "Havia um programa muito valioso ao nível de eventos culturais, como festivais de música e a Gala dos Pequenos Cantores, que atraía muita gente, a nível nacional e internacional", lembra. Sobre a actualidade, o advogado reconhece uma grande dificuldade financeira da Autarquia em fazer um grande conjunto de actividades. "Antes não havia a crise que há hoje, mas este Verão parece-me haver um bom programa turístico", congratula-se.

Marcas da História

Alguns dos locais emblemáticos das décadas de 1950 e 1960 da Figueira da Foz mantêm-se. O casino, local de encontro de amigos e famílias, ainda mantém uma actividade regular durante todo o ano, com concertos, conferências e espectáculos de dança. Ao lado, o "velhinho" Casino Oceano (lugar de destaque no início do século XX) manteve a fachada, mas é hoje uma moderna discoteca do grupo Visabeira. Por trás, o Centro de Diversões, onde diariamente se juntavam pais e filhos em mesas e carrosséis, virou um espaço nocturno, gerido pelo cantor Mico da Câmara Pereira, mas ainda com imagens e a estrutura do que era em meados do século passado.

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