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Reviver as histórias e tradições do salgado de Aveiro

Reviver as histórias e tradições do salgado de Aveiro

A melhor altura para se visitar as salinas da Região de Aveiro é, sem dúvida, de Junho a Setembro. É esta a altura de maior azáfama dos marnotos. É a época da safra do sal e a altura em que se começam a ver, nas marinhas que ainda estão em funcionamento, os primeiros montes de sal.

Para quem não sabe, e quer fazer uma visita às marinhas de Aveiro, damos a conhecer um pouco mais desta realidade que já foi uma das principais actividades económicas da região. Os mais antigos ainda se lembram das muitas dezenas de marinhas que funcionavam e que davam emprego a inúmeras famílias.

Mas vamos à safra do sal propriamente dita e ao trabalho dos marnotos, que pode ser observado por esta altura. É a partir de Março (ou Abril) que os marnotos voltam às salinas. Objectivo: ver o estado em que as marinhas estão, nomeadamente se houve estragos nos muros por causa do mau tempo. É este o tempo de preparar tudo e fazer as reparações necessárias para que a partir de Maio (ou Junho) se comece a fazer a cura dos solos. As marinhas têm de ser molhadas para depois secarem ao sol e darem origem ao tradicional sal de Aveiro. Aliás, é na quantidade de água salgada que se coloca nas salinas que está o segredo do sal. Uma água que tem de ser mudada diariamente e colocada na quantidade certa, porque água a mais faz com que o sal simplesmente derreta.

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Os meses de Julho e Agosto são, por excelência, de produção de sal, isto se as condições climatéricas assim o permitirem. Em anos de muito sol, diz a tradição que são anos de grandes safras. "Se o Agosto continuar como foram estas semanas de Julho, teremos bastante sal. É o sol e o vento que nos garantem uma boa safra", diz António Chipelo, marnoto da marinha Grã-Caravela.

Mas desenganem-se os que acham que a vida de um marnoto é fácil. Para quem aprecia o bronzeado, de facto, os homens que trabalham as marinhas têm um "bronzeado de fazer inveja", contudo é conseguido à custa de muito esforço. É preciso ir todos os dias mudar a água das marinhas, como já referimos, mas debaixo de um sol imenso. É preciso limpar as marinhas, varrer o sal e carregá-lo em canastras para os montes.

Sendo a Região de Aveiro conhecida, também, pelo sal e pelas marinhas, torna-se cada vez mais pertinente a necessidade de divulgar o salgado aveirense. António Chipelo diz que são cada vez mais os turistas que procuram visitar as marinhas, embora reconheça que "não há nada que os oriente e lhes indique onde as encontrar e até como comprar os produtos que aqui produzimos".

A pensar nisso, a empresa 1000 Cerimónias vai lançar em breve um novo produto turístico que compreende, exactamente, visitas às marinhas de Aveiro para além de dar a oportunidade aos turistas de ficarem a conhecer um pouco mais sobre a piscicultura. Para quem não sabe fica a informação de que algumas marinhas foram convertidas em piscicultura e surge agora a hipótese de as visitar.

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