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Academia de Música é a melhor escola nacional

Academia de Música é a melhor escola nacional

Bach. Entra-se na Academia de Música de Santa Cecília, na Ameixoeira, Lisboa, e eis o toque que nos enche os ouvidos: uma composição daquele expoente máximo do período barroco, conhecido pela capacidade de construir temas de uma extrema alegria e exaltação.

Ora, nada mais indicado para um som ambiente quando esta escola privada - sem fins lucrativos e única no país com este formato - acaba de atingir o primeiro posto do ranking nacional das escolas, repetindo a façanha de 2008. Porém, nunca deixou de integrar o top 20, desde 2006, e no ano passado atingiu mesmo um segundo lugar.

É altura do intervalo - todos os alunos envergam uniforme. Os mais novos contam com fatinhos de padrão axadrezado e os pais aguardam que saiam por uma das portas, onde se veem uns carros topo de gama. Outros, que parecem andar pelos 2.º e 3.º ciclos, são mais sóbrios devido a tecidos cinzentos e brancos. Já os do Secundário, usam calças de ganga e camisa branca. "Os mais velhos gostam de vincar a sua personalidade. Achou-se melhor tal farda", esclarece um dos funcionários, dos cerca de 130, entre auxiliares e professores.

Exigência. E muitíssima

Era este "cenário de excelência" de que o mais novo professor de Santa Cecília, Luís Soldado, achava que ia ao encontro, mas as expectativas até estavam em baixa.

"Já presumia que ia encontrar alunos muito bons. Mas, depois de ver o interesse que demonstram nas aulas, tenho de admitir: fui agradavelmente surpreendido", explica o docente da disciplina "Análise e Técnicas de Composição", enquanto os alunos soltam daqueles sorrisos que revelam conhecer perfeitamente por que ali estamos.

"Os alunos viram as notas dos que concluíram o Secundário. E começaram a chegar os jornalistas, não é?", releva Beatriz Cunha Esteves, uma das quatro professoras de Português - a disciplina em que o estabelecimento obteve a melhor média nacional.

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Entrar na Academia, onde o ensino académico decorre em paralelo com o ensino musical, é tão difícil para um aluno como para um docente. Ainda que um aluno do 3.º ciclo até possa custar aos pais mais de 700 euros, se almoçar ali e quiser transporte até casa, há pedidos em espera.

"Todos os anos, a maior parte dos candidatos não consegue entrar. Damos preferência a familiares de quem cá está ou esteve, a filhos de funcionários e antigos alunos. Os restantes têm de realizar provas de elevada exigência", alerta o diretor Rui Albergaria Paiva. As regras apertadas estendem-se aos docentes: "preferimos a estabilidade do quadro, por isso raramente há substituições".

Reunidos em pequenas turmas, com acesso a dezenas de salas com instrumentos, a maioria dos alunos sai dali com conhecimentos musicais ao nível do Conservatório. "Esta é uma oportunidade única: fazermos o melhor com as melhores condições que nos dão. Porque não haveríamos de ter tão boas notas?", questiona Manuel Abecasis, aluno de 16 anos.

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