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Religião Igreja Católica opõe-se a casamentos de gays

Religião Igreja Católica opõe-se a casamentos de gays

Os bispos portugueses estão contra a proposta do secretário-geral do PS, José Sócrates, actual primeiro-ministro, de permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

"Acho que é uma falácia, é um engano, é acenar com uma bandeira facilitista, desestruturando a sociedade, porque esta não consegue ser o que deve ser sem estas traves mestras que são o casamento e a família", afirmou o porta-voz da Conferência Episcopal, padre Manuel Morujão. Admitiu a possibilidade de legalização de uma união deste tipo desde que não se chame casamento. "Para casos diferentes, soluções diferentes", explicou, acrescentando que a adopção de crianças deve manter-se restrita aos casais heterossexuais.

O padre Manuel Morujão concluiu manifestando a esperança de que "o bom senso acabe por prevalecer" e apelando a que se concentrem esforços em "causas verdadeiramente humanas e estruturantes da sociedade e não que debilitem as estruturas fundamentais da sociedade".

No prazo de um mês, deverá ser publicada uma nota pastoral dos bispos sobre casamento e família.

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, um dos elementos da equipa que redigiu a moção que Sócrates vai levar ao Congresso do Partido Socialista, afirmou que a proposta do seu líder é meramente jurídica: "É uma proposta que se contém nos estritos limites da ordem civil dos direitos civis".

Mais tarde, o padre Manuel Morujão esclareceu que a Igreja Católica em Portugal não discrimina ninguém por razões sociais, religiosas, culturais ou sexuais, e que também acolhe fraternalmente os homossexuais. Recorda que o casamento entre homem e mulher é uma instituição anterior à criação e jurisdição dos estados e que a verdade da vida assenta na complementaridade dos dois sexos. Por isso, qualquer iniciativa do Estado para conceder direitos a um grupo humano que se venha a constituir, "por razões de amizade e de ajuda", deverá ter um enquadramento jurídico diferente do casamento e da família. E que uma eventual equiparação seria um erro antropológico com graves consequências para a estabilidade da família e da sociedade. Quanto aos actos eleitorais, diz que a Igreja defende causas e valores, e não se move contra ninguém nem contra grupos ou partidos com ideários divergentes ou opostos. A Igreja pede aos católicos que "votem na liberdade segundo a sua consciência", sem impor o voto.