O Jogo ao Vivo

Perdão aos lefebvrianos

Teólogo Hans Küng sugere a demissão do Papa

Teólogo Hans Küng sugere a demissão do Papa

O teólogo Hans Küng foi companheiro e amigo de Joseph Ratzinger durante o Vaticano II, no qual participaram como peritos conciliares. Mais tarde, encontrar-se-iam na Universidade de Tubinga. Seguiram depois caminhos diferentes.

Ratzinger foi ordenado bispo da Igreja de Munique, Alemanha, de onde, já cardeal, seria chamado por João Paulo II para Roma como prefeito da Congregação da Doutrina da Fé. Hans Küng caiu em desgraça, em 1980, devido à sua tese contrária à infalibilidade pontifícia. Quando foi eleito Papa em 2005, Bento XVI convidaria Küng para um diálogo de amigos. Desde então, Hans Küng tem mantido diálogo epistolar com o seu amigo Papa. Agora pede a demissão de Bento XVI por ter "absolvido" os quatro bispos lefebvrianos excomungados, incluindo o inglês D. Richard Williamson, que negou o Holocausto, contestando que tenham morrido seis milhões de judeus e, dos 300 mil, como diz, nenhum foi morto em câmara de gás. Para Küng, não é só a negação do Holocausto que está em causa, mas a recusa do Vaticano II dos lefebvrianos. A "misericórdia" do Papa não acontece, como sublinha, com teólogos reformistas e da Teologia da Libertação. Dir-se-á que Hans Küng fala por despeito. Talvez. Não deixa de ter razão na sua estranheza, sugerindo a demissão do amigo Papa. Mas assim, também dá importância a mais aos lefebvrianos, que não a merecem.