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Manter viva a dimensão profética sem mordaças

Manter viva a dimensão profética sem mordaças

Bento XVI é mais gentil do que tímido; activo na contemplação e contemplativo na acção; escuta com atenção; e fala sem teatralidade, mas com acerto pedagógico. Tem formação filosófica e teológica bastante para não se perder em vulgaridades. Mulheres e homens de cultura ouvem-no com admiração e os simples compreendem a sua clareza pedagógica e a sua sabedoria de pastor.

Bastaram quatro dias para que muitos portugueses, que o acolheram com hospitalidade, mudassem a sua opinião sobre Bento XVI. O seu discurso é racionalmente elaborado e cordialmente afectivo, numa aliança de razão e de emoção. Cativa porque cria laços com quem procura com afã o sentido da vida.

Desafiou os católicos portugueses a que não sejam "crentes envergonhados", para não contribuírem para o "silêncio da fé" nos âmbitos políticos, económicos e mesmo da comunicação social. São envergonhados os que "dão as mãos ao secularismo, construtor de barreiras à inspiração cristã". A alternativa é a urgência de manter viva "a dimensão profética sem mordaças no cenário do mundo actual".

Um conselho semelhante, mas mais alargado, porque comum a crentes e a não crentes, fê-lo às mulheres e homens da cultura portuguesa: "Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza"; sede "navegantes do Bem, da Verdade e da Beleza". E assim se enriqueceria a nossa cultura que tem padecido de tanto vazio de pensamento numa monocultura de superficialidade. Nestes dias foi possível ler opiniões insuspeitas de alguns homens cultos portugueses, nem todos crentes ou cristãos, que admiram o nível cultural de Bento XVI.

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