Sedução da intriga

O Papa Bento XVI nunca teve boa Imprensa

O Papa Bento XVI nunca teve boa Imprensa

O Papa Bento XVI, desde que foi eleito há quatro anos, ficou sempre sob a suspeita da comunicação social, como tivesse sido uma desilusão ao suceder ao carismático João Paulo II.

Desde então, até o que não é notícia é convertido em "cacha", à espera da confirmação da suspeita, não a dos mestres da dúvida como metodologia de investigação e aprofundamento de ideias, mas pelo prazer mediático de criar a intriga.

Di-lo bem o teólogo norte-americano Thomas D. Williams, que acompanhou o Papa Bento XVI na Terra Santa, ao serviço da CBS News: "Muitas pessoas só ficam a saber algo do que o Papa diz ou escreve quando alguma frase ou alguma das suas acções causam alvoroço e são destacadas pelos média".

Disso resulta "uma versão parcial e injustamente negativa do que Bento XVI se propõe como Papa", acrescenta Williams, que tem longa experiência como comentador religioso televisivo.

As ideias mais generosas de um Papa inegavelmente culto passam à margem, quando o seu discurso tem real dimensão pedagógica. Que relevo deu a Imprensa, por exemplo, à sua defesa do "carisma profético" que o Papa atribui às mulheres em países muçulmanos, confirmando que elas são "portadoras de amor, mestras de misericórdia e artífices de paz"? Sem o contributo específico das mulheres, não haverá paz nem civilização de amor na Terra Santa, mosaico de culturas e religiões.

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