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Padres preocupadoscom crise económica

Padres preocupadoscom crise económica

A Diocese do Porto, com mais de dois milhões de pessoas, vai ser mais atingida pela crise económica do que o resto do país, diagnosticou Alberto de Castro, economista da Universidade Católica e presidente da Comissão Diocesana Justiça e Paz da Igreja Portucalense, numa comunicação ao Conselho Presbiteral, com a presença do bispo do Porto, D. Manuel Clemente. Alberto de Castro calcula que, na diocese do Porto, o desemprego ande pelos 10% e, em certos concelhos, já atinja 15 ou 20% da população activa.

Nessa vulnerabilidade da base produtiva, destacou dois aspectos principais: praticamente toda a actividade produtiva tem como fim a exportação, o que a torna dependente da crise dos mercados de destino; por outro lado, é uma região de emprego muito pouco qualificado e com baixos índices de escolaridade.

Os padres do Porto relembram que "o magistério social da Igreja é um tesouro desconhecido, mas que apresenta referências certas e seguras, baseadas na dignidade da pessoa que trabalha". A essa luz, "o Estado (é) o primeiro agente do bem comum, salvaguardando, no entanto, à luz do princípio da subsidiariedade, que, sendo o Estado o primeiro agente, de modo algum pode ser nem o único nem o directo executor".

Instituição alguma - dizem - possui "a rede de proximidade" da Igreja Católica. Nestes tempos de crise, essa característica, "que só nós temos", assume "carácter de dever de proximidade a todas as formas de pobreza, a todas as pessoas em dificuldades, o que constitui exigência acrescida e indeclinável para as nossas comunidades, para os seus membros e suas instituições vocacionadas para a acção nesta área" Além disso, "a Igreja pode provocar encontros entre pessoas e instâncias dos quais resultem iniciativas concretas de ajuda e experiências de novos caminhos de solidariedade e de desenvolvimento económico".

Os padres da diocese do Porto têm em conta que "a crise surge como um desafio pastoral a repensarmos a própria iniciação cristã, em que, muitas vezes, não é suficientemente valorizada a educação para a cidadania". Na sua opinião, a Igreja deve "participar na procura de caminhos de superação da crise" e "olhar a sua dimensão moral, que obriga a rever valores e comportamentos, sem o que a superação não acontecerá".

Não falta boa vontade ao clero do Porto.

* Jornalista e cónego

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