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Pedofilia dos padres questiona o celibato

Pedofilia dos padres questiona o celibato

Nos últimos dias, têm-se multiplicado as denúncias sobre casos de abusos sexuais de menores por padres católicos na Alemanha, Áustria e Holanda, a que se juntam os que aconteceram, há mais tempo, nos Estados Unidos da América, Irlanda e Austrália.

Essa situação trágica tem levantado, dentro e fora da Igreja, o debate do celibato sacerdotal, para que alguns o apontem como causa possível de desvios tão aberrantes ou para dizer, linearmente, que nada tem a ver com tais desmandos.

A pedofilia dos padres é uma pequena parcela da pedofilia em geral, desgraçadamente mais frequente do que se supõe.

Quanto ao celibato, hoje, ninguém de bom senso o nega a quem o queira escolher como estilo de vida. Outra coisa é a discussão sobre a sua obrigatoriedade para que os padres católicos possam ser ordenados e exercer o seu ministério. Uma coisa é o sacerdócio e outra o celibato, ainda que, em velha tradição eclesial, ambas andem umbilicalmente unidas.

As opiniões, porém, dividem-se e alguns acusam o celibato sacerdotal de estar na origem daqueles abusos inqualificáveis. Basta ler as opiniões dos teólogos "dissidentes", o suíço Hans Küng e o alemão Eugen Drewermann.

A "Religión Digital" chegou a dizer que o arcebispo de Viena, cardeal Christoph Schönborn, também admitiria que o celibato está na origem dos abusos sexuais de menores por padres. Mas, o mesmo sítio da Internet diz que o cardeal austríaco, sem pôr em questão o celibato, apenas sugere que deixe de ser tabu e seja tido em conta acerca do comportamento dos padres católicos e da qualidade da sua educação.

O bispo de Ratisbona, Gerharard Müller, entende que os padres abusadores devem abandonar o ministério sacerdotal, considerando, no entanto, que é uma "estupidez" afirmar que o celibato é a causa dos padres pederastas, sendo, na sua opinião, um grave "transtorno evolutivo" da personalidade.

Para o Vaticano, como diz o seu porta-voz, padre Federico Lombardi, acusar apenas a Igreja é "falsear a realidade", defendendo, porém, a assunção da responsabilidade por parte da Igreja, com expressa "vontade de transparência". Critica inclusive a "cultura do silêncio" dos responsáveis de algumas igrejas locais, quando não agiram a tempo para impedir mais abusos dos prevaricadores, antes os nomearam para outras tarefas sacerdotais sem os denunciar à justiça.

É tempo de a Igreja "limpar a casa".