Clima

Ambiente perde para Agricultura

Ambiente perde para Agricultura

A Quercus, o Partido Ecologista "Os Verdes" e o arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles alertam para os riscos da subalternização do Ambiente à Agricultura, perante a criação do novo Ministério que integra, ainda, o mar, a floresta e o ordenamento do território.

No dia em que arrancou um evento mundial, liderado por Al Gore, antigo vice-presidente dos EUA, que chama a atenção para a realidade climática, o JN falou com representantes das causas ambiental e ecológica.

As posições apontam para uma sociedade civil mais dinâmica, e não para a criação de um novo partido, e para uma visão global dos problemas. Além disso, há o receio de que esta espécie de "super-ministério" possa condenar o Ambiente ao esquecimento.

Gonçalo Ribeiro Telles, antigo secretário de Estado do Ambiente e ministro da Qualidade de Vida, que criou as zonas protegidas da Reserva Agrícola Nacional e da Reserva Ecológica Nacional, diz que "só pode haver um movimento ecologista a sério se houver compreensão total do que é a nossa paisagem". Para o fundador do Movimento o Partido da Terra, "não há uma visão global do problema", mas abordagens "sectoriais". Além disso, pergunta "como é possível" o Governo incluir "no mesmo ministério Ambiente, Mar, Território e Floresta".

Já o PEV é, na sua opinião, "um partido muito limitado a uma visão particular. "Não há, de facto, uma política de território, há políticas sectoriais sobre o território", insistiu, considerando que a criação de um novo partido não resolveria este défice. A propósito, nota que "o edificado é tão importante como a parte não edificada".

A seu ver, é fundamental promover um "debate aberto" com "ajuda da Comunicação Social".

Manuela Cunha, dirigente do PEV, considera que, com a criação de "super-ministérios, onde coabitam "tantas questões complexas", é "impossível" tratar "bem" cada área. E, perante as imposições da "troika" e os cortes levados a cabo pelo Governo, diz que sai a perder a fiscalização ambiental nas áreas protegidas.

Para o vice-presidente da Quercus, Francisco Ferreira, "é preciso as organizações não governamentais terem mais dinâmica e participação, conseguindo envolver as pessoas" que "andam descontentes com os partidos".

No Governo, "o Ambiente acaba por perder protagonismo" para a Agricultura, criticou, falando de "uma subalternização às Finanças e à Economia e, agora, também, à Agricultura", ao "contrário do que acontece em Espanha", onde o Ministério é do Meio Ambiente, Meio Rural e Marinho.

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