Clima

Licenças de carbono atraem mais poluentes

Licenças de carbono atraem mais poluentes

O mercado de compra e venda de licenças de emissões de dióxido de carbono (CO2) serve para apoiar o cumprimento do Protocolo de Quioto cujo objectivo é reduzir as emissões de CO2. Contudo, e apesar deste mercado funcionar como uma bolsa de valores, os preços das licenças nunca foram muito influenciados pela volatilidade dos mercados financeiros e dos preços do petróleo. Pelo menos até agora.

Comparados com 2008, ano em que arrancou o segundo período de cumprimento do Protocolo de Quioto, os preços já caíram metade para cerca de 12 euros. E no início de Agosto chegaram mesmo a cair para 10,62, o valor mais baixo dos últimos dois anos e meio. Situação que está a levar as grandes operadoras a ir ao mercado.

"Empresas como as termoeléctricas ou cimenteiras já estão a comprar licenças para usar no próximo ano", disse ao JN/Dinheiro Vivo a directora-geral da consultora Ecoprogresso, Catarina Vazão. Para esta responsável, as empresas estão a antecipar-se uma vez que se prevê que haja, em 2012, "um défice de cerca de 25% a 30% de licenças atribuídas a toda a indústria em Portugal".

É que o número de licenças atribuído é definido pelo Governo com base no sector, dimensão e histórico de produção. Logo, se uma empresa não receber licenças que cheguem para as emissões que liberta tem de recorrer ao mercado e comprá-las às empresas que gastam menos.

Os primeiros meses de 2011 foram marcados por uma redução nas emissões de CO2 por parte das empresas. De acordo com Catarina Vazão isto deve-se à crise, "que levou à paragem de várias indústrias, mas também porque há várias empresas a tomar medidas de redução de emissões, como a passagem do fuelóleo para o gás natural ou o maior recurso à produção renovável".

A indústria portuguesa é das que mais tem reduzido as suas emissões na Europa. Segundo dados fornecidos pelo Ministério do Ambiente, entre 2008 e 2012, "o montante de licenças previsto atribuir anualmente é de 30,5 milhões de toneladas de CO2", mas as "emissões verificadas em Portugal em 2010 totalizaram 24,2 milhões de toneladas, contra 28,2 milhões de toneladas em 2009 e 29,9 milhões em 2008". Quer isto dizer que, em 2010, a redução foi de 14,5% quando comparado com 2009, ou seja, menos quatro milhões de emissões libertadas para a atmosfera.

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