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Mais incendiários em prisão preventiva

Mais incendiários em prisão preventiva

A taxa de suspeitos de fogos florestais a quem foi aplicada a prisão preventiva, ao longo deste ano, confirma a tendência de aumento iniciada em 2010. Entre 1 de Janeiro e ontem, a Polícia Judiciária (PJ) deteve 24 indivíduos suspeitos daquele crime, sendo que a prisão preventiva foi a medida de coacção aplicada a 11 dos detidos - 45%.

"É uma taxa elevada, comparativamente com os demais tipos de crime. Há uma melhor sedimentação das soluções jurídicas da reforma do processo penal de 2007 e, por outro lado, uma maior consciencialização dos grandes danos causados pelos incêndios florestais", explica Rui Almeida, responsável pelo Grupo Permanente de Acompanhamento e Apoio da PJ dedicado aos fogos.

As medidas de coacção são decididas por um juiz, sob proposta do Ministério Público. A prisão preventiva é a mais pesada e, no caso dos incendiários, tende a ser substituída por outras mais leves, à medida que arrefece o tempo e diminui o risco de fogo.

Nos primeiros oito meses deste ano, houve menos 73% de área ardida do que no período homólogo de 2010, o que tem muito a ver com as temperaturas moderadas deste Verão e se reflectiu na diminuição de participações por suspeita de fogo posto, detidos e inquéritos registados pela PJ. Rui Almeida, que também dirige a Directoria do Centro desta polícia, dá conta de 1351 participações e 754 inquéritos abertos, além de 24 detidos, até ontem. Em 2010 foram detidos 40 suspeitos.

O que se manteve também foi a maior incidência de casos no Centro e Norte e o perfil do incendiário - homem de meia-idade e com pouca escolaridade, que ateia o fogo com isqueiro ou fósforo, por motivos fúteis.