Covid-19

Doze discotecas e bares da região Centro fecham "por tempo indeterminado"

Doze discotecas e bares da região Centro fecham "por tempo indeterminado"

Proprietários receiam contribuir para a propagação do coronavírus e tomam decisão por iniciativa própria, apesar de estarem conscientes da quebra de receitas.

Preocupados com a possibilidade de contribuírem para a propagação do coronavírus, cinco discotecas e sete bares de Coimbra, Figueira da Foz, Leiria, Marinha Grande e Pombal decidiram encerrar as portas até a situação estar ultrapassada. Embora prevejam quebras de receita acentuadas, preferem não fazer negócio a ficar com o "peso na consciência" de alguém ser infetado.

O bar dançante Anubis, em Leiria, foi o primeiro a comunicar a decisão nas redes sociais, através de um comunicado, em que anuncia o encerramento do espaço a partir de amanhã. "Em concordância com o espírito de responsabilidade social que nos assiste, optámos por fechar todas as nossas atividades por tempo indeterminado, com vista a uma rápida, mas eficaz, resolução desta questão premente de saúde pública."

"Tendo consciência da forma como as coisas estão, com a escalada do coronavírus, estava a custar-me estar aberto e poder contribuir para a propagação do vírus", explica ao JN o proprietário Mário Brilhante. "O facto de o Anubis também ser frequentado por malta mais nova fez-me sentir mais responsável. Ia sentir-me cúmplice se não fizesse nada", observa.

Grupo NB fecha seis espaços

Pouco tempo de o Anubis anunciar a decisão no Facebook, outros bares e discotecas assumiram uma posição semelhante. O sócio do Grupo NB, Gil Sousa, também não vai abrir as portas das discotecas NB em Coimbra, na Figueira da Foz e em Viseu, assim como da Guilt, em Leiria, e dos bares Ice Club e Factor C, ambos em Viseu, até deixar de existir risco de propagação do coronavírus. "Quero contribuir para que se consiga colocar um fim nesta pandemia."

"Os nossos espaços são propícios a que haja aglomeração de pessoas e a propagação do vírus", assume Gil Sousa, pelo que considera que o mais sensato é não os abrir ao público. "Estamos a cumprir o nosso dever cívico", acredita. No total, as quatro discotecas e dois bares têm uma lotação na ordem das "quatro a cinco mil pessoas". Para que esta medida seja eficaz, entende que todos os estabelecimentos noturnos onde se concentrem muitas pessoas deviam estar fechados.

O proprietário da discoteca Kyay, em Pombal, tem a mesma posição, pelo que já não deverá abrir no próximo sábado. Jorge Duarte diz que essa probabilidade é de "99%" e que a decisão será tomada amanhã. Com eventos programados para todo o mês, já contactou os artistas que iam assegurar a animação, que também terão manifestado receio devido ao coronavírus. "Todos devemos colaborar, independentemente dos prejuízos. Nós não queremos ter o peso na consciência de contribuirmos para a propagação do vírus."

Proteger a comunidade

Com uma lotação de cerca de 900 pessoas, a Kyay não registou qualquer abrandamento na atividade até agora, mas Jorge Duarte acredita que iria ter uma quebra de cerca de 50% do número de clientes este sábado, devido ao aumento de casos de infeção em Portugal e à mediatização do assunto. "Tenho a convicção de que as pessoas iam deixar de aparecer", afirma. Os clientes mais velhos, que têm um espaço próprio dentro da discoteca, e os mais novos, alertados pelos pais. "Vamos perder todos, mas será a bem da comunidade."

O Piano Bar e o Oceano Bar, na Praia da Vieira, concelho da Marinha Grande, também vão fechar a partir de sábado, devido ao receio de propagação do vírus, até a situação melhorar. Apesar da quebra de receitas, Jorge Nunes considera que esta é a forma mais correta de agir, e defende que os outros dois bares existentes no local deviam fazer o mesmo. "Em dias bons, juntamos ali umas 600 pessoas", assegura. Embora o coronavírus esteja na ordem do dia, o empresário está convencido de que não iria afetar o movimento. "As pessoas deviam levar isto um bocadinho mais a sério."

O bar mais antigo de Leiria, Os Filipes, também decidiu fechar as portas a partir de hoje, apesar de ter a festa do 33º aniversário marcada para sábado, que será adiada. "Resolvemos não arriscar, não vá amanhã haver um problema", justifica o proprietário Manuel Oliveira. "Pelo menos, este fim de semana e no próximo estamos fechados. Depois, logo se vê", diz.

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