Ensino

Doze escolas fiscalizadas por inflacionarem notas

Doze escolas fiscalizadas por inflacionarem notas

Ministério emite recomendações, mas não revela como responsabiliza as mais "generosas" nas classificações internas.

A Inspeção-Geral da Educação fiscalizou, no ano passado, oito escolas privadas e quatro públicas que deram aos seus alunos notas muito superiores às que obtiveram nos exames nacionais. A existência de escolas que, por sistema, inflacionam as notas é denunciada há anos e os dados agora revelados pelo ministério tutelado por Tiago Brandão Rodrigues confirmam-no, uma vez mais.

A escolha das escolas fiscalizadas, no âmbito da avaliação das aprendizagens dos alunos do Secundário, foi feita sobretudo mediante o "desalinhamento das notas internas" face às dos exames, disse fonte oficial do ministério. A tutela está, agora, a avaliar se cada escola adotou as recomendações feitas, mas não revelou o sucedido às escolas inquiridas já em 2015.

Esta não é a primeira vez que o ministério segue o procedimento, mas não é público se as escolas adotaram as recomendações ou, caso não o tenham feito, se foram penalizadas, lamentam Tiago Neves e Gil Nata, do Centro de Investigação e Intervenção Educativas, da Universidade do Porto. Para os investigadores, o ministério devia ser transparente e criar um quadro legal ao abrigo do qual as inspeções possam ter consequências. É que, ano após ano, as escolas mais "generosas" com as notas repetem-se.

Cinco escolas fazem parte do grupo das 20 com maior discrepância, não só no ano letivo 2016/17 como nos dois anteriores. Uma está no estrangeiro (a Escola da Guiné-Bissau), mas as restantes situam-se em território nacional: duas privadas (o Colégio Euroatlântico e o Externato Álvares Cabral) e duas públicas (Básica Integrada Mouzinho da Silveira e Secundária Fonseca Benevides). No último ano letivo, a lista das 20 escolas que mais inflacionam notas é liderada pelos já referidos Externato Álvares Cabral e Escola da Guiné-Bissau, seguidos da Secundária da Baixa da Banheira.

Ao JN, o diretor José Manuel Lourenço adiantou que o projeto educativo da secundária que gere concentra-se no "combate ao absentismo, ao abandono e à indisciplina" e não no "campeonato das notas e dos rankings". As características da escola ajudam a enquadrar estas prioridades: tem poucos alunos (no ano passado só fizeram 75 exames), não está integrada com escolas do Ensino Básico de forma a captar mais gente, tem muitos estudantes de países africanos e com fragilidades na língua portuguesa e está inserida num meio social e económico vulnerável. "Trazer os alunos à escola é a nossa primeira vitória", disse.

Este ano, a Secundária da Baixa da Banheira só abriu cursos profissionais, mas as que apostam na via científico-humanística podem ser tentadas a inflacionar notas para subir as médias dos alunos e dar-lhes vantagem na entrada na universidade.

A Comissão de Acesso ao Ensino Superior estará a ponderar uma mudança de critérios (o gabinete de Manuel Heitor não respondeu ao JN), mas Tiago Neves e Gil Nata propõem hipóteses: eliminar as notas internas do sistema de acesso, corrigi-las ou penalizar as escolas mais "generosas".

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