Luta interna

Duelos em metade das distritais do PS e mais um governante na corrida

Duelos em metade das distritais do PS e mais um governante na corrida

Os socialistas vão escolher os seus líderes distritais, que terão como maior desafio a preparação das autárquicas de 2021. A renovação já está garantida em cerca de metade e há nove confrontos confirmados.

Das 19 federações a votos nos dias 13 e 14 do próximo mês, dez presidentes são recandidatos. Mas as atenções estão viradas para nove duelos, um deles marca a estreia do secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo. Junta-se a outros dois secretários de Estado, Duarte Cordeiro (Assuntos Parlamentares) e António Mendonça Mendes (Assuntos Fiscais), que são recandidatos em Lisboa e Setúbal.

O cenário aponta para a mudança de pelo menos nove líderes, a que se somarão as distritais onde o atual presidente não vença.

Na panóplia de autarcas, governantes e eleitos à Assembleia da República está o eurodeputado Manuel Pizarro. É um dos dez líderes recandidatos, juntamente com os de Lisboa, Setúbal, Federação Regional do Oeste, Algarve, Aveiro, Braga, Bragança, Viana e Vila Real.

quatro líderes desafiados

Quando ainda faltavam, quinta-feira, algumas horas para terminar o prazo de apresentação das candidaturas, três líderes enfrentavam outro candidato. Mas uma candidatura de última hora, revelada esta sexta-feira pelo partido ao JN, elevou para quatro o número de atuais presidentes que têm opositor nestas eleições e para nove o total de duelos.

Pizarro quer um terceiro mandato (o limite são quatro) mas, desta vez, o vereador portuense não está sozinho e enfrenta José Manuel Ribeiro, autarca de Valongo. Joaquim Barreto, líder histórico de Braga, tem adversário: Ricardo Costa, vereador em Guimarães. Jorge Gomes disputa, em Bragança, as eleições com Júlia Rodrigues, presidente da Câmara de Mirandela. O último duelo conhecido é o de Setúbal. Segundo fonte do partido, Carlos Gordo, professor aposentado do primeiro ciclo e militante em Alcácer do Sal, formalizou a sua candidatura à distrital liderada pelo governante e recandidato António Mendonça Mendes.

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Há mais cinco confrontos: Baixo Alentejo (Nelson Brito e Hélder Guerreiro); Castelo Branco (Vítor Pereira e Leopoldo Rodrigues); Coimbra (Nuno Moita e João Portugal); Leiria (Walter Chicharro e José Pereira dos Santos); e Viseu (João Paulo Rebelo e José Rui Cruz). Na Guarda, eram dois candidatos, mas o antigo líder José Albano desistiu e anunciou apoio a Alexandre Lote, vice-presidente da Câmara de Fornos de Algodres.

No Porto, está no centro das atenções a corrida à Câmara que Pizarro perdeu para Rui Moreira e onde o PS não é governo há quase 20 anos. O líder federativo destacou ao JN que, consigo, o PS conseguiu 11 em 18 municípios no distrito e a liderança da Área Metropolitana do Porto (AMP), prometendo reforçá-la. Garantiu que "o PS nunca desistiu do Porto" e que haverá uma "candidatura vencedora".

Já o autarca de Valongo promete uma federação que trate "por igual todos os municípios e freguesias" e que "tenha coragem de abrir" o PS. Promete ainda discutir tudo o que se prenda com mobilidade e transportes na AMP, "pois não é aceitável decidir elevados investimentos públicos nestas áreas com total ausência de debate interno".

"Voz incómoda em Lisboa"

Em Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, presidente da Junta de Castelo Branco, defronta Vítor Pereira, presidente da Câmara da Covilhã, que se estreia. Hortense Martins sai e falha a tentativa de lista única. Leopoldo Rodrigues, seu familiar, tem apoio da líder.

Ao JN, Vítor Pereira prometeu unir e "dar voz a todas as concelhias". Critica o PS no distrito por ser "demasiado centralizado". "O partido está muito afunilado em Castelo Branco", lamenta. Ganhar mais câmaras é o grande desafio para 2021 e pretende recuperar "o poder de influência" da Federação, lutando por medidas há muito esperadas no distrito.

Leopoldo Rodrigues também aposta na conquista de mais câmaras do PS (são sete em onze) e num "trabalho de grande proximidade com os presidentes das concelhias". Quer inverter a desertificação e destaca a urgência em construir novas ligações e duas barragens. Os problemas de demografia serão alvo de propostas "que possibilitem a fixação da população e também a atração de população nova" a apresentar ao PS nacional.

Leiria é palco de outro confronto após a saída de António Sales para o Governo. O advogado José Pereira dos Santos, que já foi candidato, quer reforçar a participação de mulheres e jovens, incluindo nas autárquicas e legislativas. Descentralização e regionalização são prioridades, sendo esta última "a cereja no topo do bolo", bem como "ganhar a maioria" das câmaras. "Serei uma voz incómoda em Lisboa na defesa intransigente do distrito", promete.

Walter Chicharro assume já a recandidatura à Nazaré, câmara que conseguiu tirar ao PSD em 2013. "O nosso objetivo é que o PS faça o mesmo no distrito", disse ao JN, apostado em reforçar o partido nas autarquias. Entre as prioridades está ainda, por exemplo, "não perder a janela de oportunidade que existe de abrir a Base Aérea de Monte Real ao tráfego civil", bem como a "aposta clara em obras estruturantes como os IC8 e 11 e a N1/IC2."

NÃO CONFUNDIR PLANOS

Por sua vez, João Paulo Rebelo disse ao JN estar "em boas condições" e numa "posição privilegiada para ajudar o PS em Viseu e o distrito na sua afirmação nacional". Questionado sobre a sua função de secretário de Estado, ressalvou, porém, que "os planos não devem ser confundidos". Os desafios são "manter níveis elevados de conquista de câmaras" e ganhar Viseu.

O seu adversário, o deputado José Rui Cruz, lembrou ao JN ser "a única capital de distrito que nunca foi do PS". Por isso, o vice-presidente da Distrital assume claramente aquele objetivo de ganhar Viseu e promete continuar o trabalho de António Borges, líder federativo que não se recandidata.

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