Sinistralidade

Duplicam as mortes em acidentes de mota

Duplicam as mortes em acidentes de mota

Os acidentes de mota estão a aumentar e a fazer cada vez mais vítimas em Portugal.

Há cinco anos que não provocavam tantas mortes e, na última década, nunca houve tantos feridos graves e ligeiros como este ano. O Governo tem previstas várias medidas, a implementar até 2020, para travar o fenómeno - como incentivos à compra de motas seguras ou a obrigatoriedade do uso de mais equipamentos de segurança -, mas o presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa avisa que isso não chega.

Entre 1 de janeiro e 30 de julho deste ano, segundo os relatórios da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), 76 pessoas morreram em desastres envolvendo motociclos ou ciclomotores. Este número é quase o dobro do registado nos primeiros sete meses do ano passado, quando perderam a vida 43 motociclistas. E é preciso recuar a 2012 para encontrar um ano tão mau: entre janeiro e o fim de julho de 2015 houve 59 mortes; em 2014, foram 42; em 2013, 53; e em 2012, 78.

"São precisas soluções a sério"

Os dados estatísticos da ANSR mostram também que na última década nunca houve tantas vítimas - contabilizando mortos, feridos graves e feridos leves - como está a haver em 2017. Até 30 de julho, 4927 pessoas foram vítimas deste deste tipo de desastres, número superior aos que se registaram desde 2008 .

"É um aumento brutal e preocupante", admite o presidente da PRP. José Miguel Trigoso sublinha que, apesar das estatísticas, não existem estudos sobre o que estará por detrás desta subida. "Pode ser resultante de um maior uso de veículos motorizados de duas rodas, mas é impossível dizer sem que seja feita uma análise séria e está na altura de olhar para o fenómeno com atenção", defende.

Apesar de os acidentes com motas estarem mais graves ao nível das consequências, o número de desastres parece estar estável. Os últimos boletins da ANSR não permitem saber o número de desastres e a GNR não disponibilizou estatísticas. Ainda assim, e tomando em consideração apenas os números da área da PSP, não parece haver um aumento de desastres. Este ano, até setembro, verificaram-se 3748 acidentes com motociclos e ciclomotores, enquanto em todo o ano passado se registaram mais do dobro: 8277. Em 2015, foram 4326.

O agravamento da sinistralidade com motas é reconhecido no Plano Estratégico Nacional de Segurança Rodoviária (PENSE) 2020. "Os veículos de duas rodas a motor e, mais notavelmente, os motociclos são aqueles que apresentaram, ao longo do período, os indicadores de risco mais gravoso", admite o documento, que é orientador da estratégia do país em matéria de segurança rodoviária.

No capítulo do plano de ação, que detalha as medidas a implementar até 2020, a ANSR compromete-se a "estabelecer condições para a discriminação positiva" na compra de motas que tenham motores mais seguros, sem as concretizar. Outra das medidas, a ser desenvolvida em parceria com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), passa pelo estudo do alargamento de equipamentos de segurança obrigatórios nos motociclos e nos ciclomotores. A fiscalização direcionada para as motas vai ficar mais apertada por parte da PSP e a da GNR, diz o documento, que promete ainda a realização de "campanhas de sensibilização". Um conjunto de medidas que o presidente da PRP classifica de "demasiado generalistas". "Estamos perante um problema que precisa de soluções a sério", defende.

Bicicletas também matam

Nos primeiros sete meses do ano, 15 pessoas morreram em desastres envolvendo bicicletas. No mesmo período do ano passado tinha havido 14 mortes, enquanto em 2015 se registaram sete.

Motociclos mais perigosos

Os motociclos - motas com cilindrada superior a 50 cm3 ou que excedam os 45 km/h - são responsáveis pela maioria das vítimas de desastres com motas. Este ano, entre janeiro e julho, provocaram a morte a 51 pessoas (de um universo total de 76). As restantes vítimas morreram em acidentes envolvendo ciclomotores - motas com cilindrada inferior a 50 cm3 ou velocidade inferior a 45km/h.