Tradição

"É a primeira vez que passo a Páscoa longe da família"

"É a primeira vez que passo a Páscoa longe da família"

Pandemia impede muitos agregados de cumprirem a data com mesas cheias e festa de manhã à noite.

Sofia Sampaio, 43 anos, e Germano Grothkop, 44, vão neste ano ficar confinados em casa, em Lisboa, a jogar à "caça ao ovo" com a filha Maria, de 8 anos, e a recordar outras Páscoas na aldeia de Afife, no Minho.

Desde criança que Sofia passa esta época em casa da avó paterna, Avelina do Poço, 105 anos, numa terra em que a Páscoa se faz de convívio e de "comer e beber de manhã à noite", com família e amigos. E dura de sábado à noite, com a Queima do Judas no Cruzeiro, até segunda.

"A minha avó sempre deu mais importância à Páscoa do que ao Natal", conta Sofia, que lamenta, sobretudo pelos pais que, também residem em Lisboa, que a família não possa juntar-se em Afife. "Não é fácil para eles. A minha avó vai fazer 106 anos em novembro e nunca sabemos quando vai ser a última Páscoa", diz.

risco de contágio

Goreti Silva, 44 anos, natural da Póvoa de Lanhoso, Braga, vive em Carnaxide (Oeiras) e vai passar a Páscoa sozinha por opção. "É a primeira vez que passo a Páscoa longe da família. Estou em isolamento em casa, não faz sentido deslocar-me nestas circunstâncias para poder abraçá-los, correndo risco de contágio", diz.

Abdicou do tradicional almoço familiar. "Na aldeia há duas Cruzes (compassos) e a nossa casa, que fica perto da igreja, é das primeiras a ser visitada. Juntamo-nos todos e já ficamos para almoçar. Normalmente somos pelo menos 15 pessoas à mesa", conta Goreti.

Sozinha em casa, vai recorrer à tecnologia para estar "mais perto". "Domingo vou pintar ovos e fazer um folar para dar um ar especial à minha mesa para partilhar com a minha família através de videochamada", resume.

natal era mais triste

Eliana Rico, a viver no Porto, não visita a mãe, em Aveiro, há mais de dois meses. E o reencontro não será neste fim de semana de Páscoa. "Se fosse no Natal ficava mais triste", confessa, embora reconheça que gostaria de reunir a a mãe, irmãs, cunhados e sobrinhos à mesa como nos anos anteriores. Até porque os dois filhos também sentem falta da família, sobretudo das primas.

A mãe, de 79 anos, não sai de casa," nem para comprar pão", desde que a pandemia se manifestou em Portugal. E são as irmãs de Eliana que lhe deixam as compras à porta.

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