O Jogo ao Vivo

Documentário

"É p'ra amanhã" mostra como cuidar hoje do futuro

"É p'ra amanhã" mostra como cuidar hoje do futuro

E se, em vez de se alertar para o que tem vindo a acontecer em resultado das crises ambientais e tragédias ecológicas, se resolvesse dar visibilidade ao que de bom já se faz para contrariar esses fenómenos? E se muitos desses exemplos existirem em Portugal e até puderem ser replicados em qualquer parte do país? O documentário "É p'ra amanhã", cujo primeiro de cinco episódios teve antestreia anteontem em Lisboa, dá precisamente uma visão luminosa e positiva do que por cá está a ser feito para um futuro mais sustentável. O sonho é passar nas televisões.

Inspirados por um projeto francês "Demain", (Amanhã) lançado em 2015, que teve grande impacto um pouco por todo o mundo, cinco jovens portugueses decidiram explorar outra vertente do mesmo assunto e partiram em busca de pessoas e iniciativas que, em Portugal, trabalham diariamente por um futuro mais sustentável. Assim nasceu "É p"ra amanhã", uma série documental dividida em cinco episódios, cada um subordinado a um tema. A antestreia foi com o filme de cerca de 50 minutos dedicado à alimentação. Seguir-se-ão episódios semelhantes tendo como foco a energia, a economia, a política e a educação.

De 800, filmaram 60

O projeto abraçado pela equipa constituída por Pedro Serra, Luís Costa, Francesco Rocca, Edgar Rodrigues, Teresa Carvalheira e Verónica Silva visa, como os próprios contaram ao JN, "dar visibilidade às muitas coisas válidas no campo da sustentabilidade que por cá se fazem. Existem muitos projetos em marcha mas são pouco conhecidos". Por isso mesmo, como sublinhou Luís Costa, " tentamos fugir ao paradigma habitual deste género de documentários. O nosso foco é a solução para estas questões das alterações climáticas e da sustentabilidade. Optamos por dar um enfoque mais positivo sobre aquilo que está a ser feito, sobre as alternativas viáveis que podem servir de exemplo para uma mudança de paradigma e de mentalidades".

Durante vários meses, a equipa fez uma pesquisa aturada dos projetos em curso em Portugal tentando criar a sua própria base de dados. "Chegamos a uns 800, filmamos 60 destes projetos", explicou Verónica Silva. "Não foi fácil selecionar. O nosso critério foi o de destacar aqueles que serão possíveis de replicar pelo país e outros que se complementem de forma a que, juntos, resolvam melhor os problemas", especificou Teresa Carvalheira.

Para desenvolver a ideia, os seis amigos assumiram eles próprios formas sustentáveis para a sua concretização. "Reduzimos ao mínimo a nossa pegada ecológica. Para chegar aos locais viajamos de bicicleta, de comboio, de metro, de carro elétrico. Ficamos em casa de amigos, quando necessário" , contou Francesco Rocca. Muito importante também foi, como sublinharam, o facto de terem sido cofinanciados pela União Europeia e pelo Instituto Camões, no âmbito do projeto "No Planet B - AMI" (linha de financiamento para a implementação de ações efetivas em alterações climáticas e vida sustentável). Não menos relevante foi também o apoio obtido em crowdfunding. Agora, como confessam, o mais importante "é que, a curto prazo, seja possível este "É p"ra amanhã" passar nas televisões. Estamos esperançados de que isso acabará por acontecer".

Uma horta social ao pé da porta

É apresentada como a maior horta social da Europa e está inserida no parque José Avides Moreira, anexo ao Hospital Conde Ferreira, no Porto. Tem três hectares de terreno que permitiram criar 230 talhões para hortas biológicas. Estão todos preenchidos e há uma lista de espera de 300 interessados. Este é um dos projetos em destaque no primeiro episódio do documentário "É p"ra amanhã", dedicado à alimentação.

Cultivar trigo dos antepassados

João Vieira tem 80 anos e uma paixão desmedida pela terra. Semeia trigo barbela no Cadaval, variedade muito popular no século XVII, mas que estava em risco de desaparecer. "Tem menos bagos numa mesma espiga mas traz mais nutrientes e é muito rico em óleos naturais. É altamente nutritivo", explica, justificando ainda que sempre baseou a sua atividade agrícola no "respeito pela terra".

Mértola planta com pouca água

Em Mértola não chove com frequência mas não é por falta de água que se deixa de cultivar legumes frescos, ervas de cheiro ou árvores de fruto. A agricultura sintrópica serve-se dos restos da poda para criar os nutrientes necessários ao solo. O sistema permite reverter zonas áridas ou semiáridas em locais verdes onde a água surge naturalmente. "Regamos uma vez por semana", garante um dos mentores do projeto que já integra uma Rede Alimentar Local no concelho.

Compostagem no bairro da Mouraria

A Associação Renovar a Mouraria está a promover, desde meados do ano passado, um projeto de compostagem que conta com a colaboração dos moradores. Para os ajudar a participar no processo, foi criado um grupo de voluntários que lhes entrega baldes e depois os recolhe e deposita os resíduos orgânicos nos compostores. A ideia é que as pessoas que entregam lixo orgânico recebam composto, para com ele adubarem hortas domésticas ou usarem nas hortas comunitárias.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG