Entrevista

Centeno-governador? "É um cargo que qualquer economista pode gostar de desempenhar"

Centeno-governador? "É um cargo que qualquer economista pode gostar de desempenhar"

Mário Centeno afirmou que a saída das Finanças é "só o fim de um ciclo" e que ser governador do Banco de Portugal é um "cargo que qualquer economista pode gostar de desempenhar".

"Eu estive concentrado em todas as tarefas que tive de executar até agora", afirmou Centeno, em entrevista à RTP, esta quinta-feira, acrescentando que "o facto de o ministro das Finanças de Portugal ocupar o lugar de presidente do Eurogrupo representa para Portugal uma vitória de reconhecimento de credibilidade".

"Temos de ter consciência de todo o trajeto percorrido ao longo de quatro anos e meio".

Questionado sobre quando é que decidiu deixar o cargo de ministro das Finanças, Centeno respondeu que é preciso "ter consciência de todo o trajeto percorrido ao longo de quatro anos e meio".

"Havia uma grande dúvida em Bruxelas se no final do ano aquelas contas iam bater certo e foram precisas muitas reuniões, muita demonstração para chegar ao fim de 2016 com contas certas. Não há nenhum motivo. É só o fim de um ciclo, era o fim do mandato do Eurogrupo", disse o ex-ministro.

Em relação às notícias que dão conta de uma crispação na relação com António Costa, Centeno diz que as mesmas são extemporâneas: "não houve nenhuma deterioração dessa relação, nem poderia haver", esclareceu.

"Nada mudou do ponto de vista político, nada mudou no relacionamento pessoal", disse, admitindo que quando foi reunir com António Costa na residência oficial a propósito do episódio da transferência para o Fundo de Resolução do Novo Banco, "havia necessidade de clarificar uma situação que estava a acontecer". "Era necessário resolver essa situação e transmiti-la a todos da forma como foi feita", explicou, admitindo que a relação com o primeiro-ministro teve momento de "tensão". "Nós não podemos conceber uma situação em que o ministro das Finanças e o primeiro-ministro não estejam numa relação tensa, mas saudavelmente tensa".

Sobre a relação com o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recusou dizer se este alguma vez lhe pediu para que não deixasse o cargo de ministro das Finanças. "Essa relação é institucional", afirmou Centeno, recusando "comentar conversas" com o primeiro-ministro.

"Sempre tivemos uma relação muito leal, muito franca, muito transparente", acrescentou, garantindo que "foram entendidas de parte a parte" as circunstâncias em que decidiu que era a hora de iniciar "um novo ciclo".

"Hoje não tenho ambições políticas nenhumas", diz Centeno, mas garante que essa maneira de estar "muito analítica" que teve ao longo da vida vai manter-se. "Sou funcionário do Banco de Portugal. Essa decisão compete ao Governo e ao ministro das Finanças".

Centeno-governador? "É um cargo que qualquer economista pode gostar de desempenhar", disse, admitindo que falou com António Costa sobre o assunto, mas sem revelar se a ida para o Banco de Portugal está acertada com o primeiro-ministro.

"Ser governante não é propriamente um cadastro. Somos governantes e desempenhamos essa função sob juramento de lealdade às funções", afirmou, lembrando que três governantes do PSD foram para o Banco de Portugal depois de passarem pelo Governo.

"Na segunda-feira, dia 15 voltarei ao Banco de Portugal", terminou Centeno, dizendo que é quadro do banco e que permanecerá mais um mês à frente do Eurogrupo

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