O Jogo ao Vivo

Nacional

Economistas, analistas e outros actores económicos de acordo: pedido chega tarde

Economistas, analistas e outros actores económicos de acordo: pedido chega tarde

(Em actualização) - Banqueiros, economistas, próximos do PS e do PSD, e demais actores económicos estão de acordo: pedido de ajuda internacional era inevitável e só foi pena ter demorado tanto tempo a ser feito.

O eurodeputado do PSD Paulo Rangel disse, quarta-feira, que a ajuda externa a Portugal será "nos mesmos moldes em que foi feita à Grécia e à Irlanda", no quadro do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, com uma componente de FMI.

Apesar de considerar que o pedido de ajuda "peca por tardio", o social-democrata disse compreender "que houvesse uma tentativa de o adiar no sentido de conseguir um novo regime para o fundo".

O ex-ministro das Finanças Medina Carreira considerou "lamentável" que o pedido de ajuda externa "não tenha sido feito há um ano, antes do país ter entrado no descalabro em que entrou".

"Se o pedido de ajuda externa tivesse sido feito há um ano, não devíamos tanto, as contas públicas estavam mais em ordem e tínhamos o aval internacional para o financiamento", sublinhou, lamentando que "os políticos portugueses percebam tão mal e tão tarde".

Para Medina Carreira", "isto era visível para qualquer pessoa descomprometida, que não tenha orgulhos em excesso, e que não tenha tão poucas vistas que não perceba ao longe aquilo que qualquer pessoa percebe".

O economista João Duque defendeu que o país "estava a suportar o insuportável", considerando que agora a ajuda externa "será feita em condições piores do que aquela que poderia ter sido feita se fosse negociada" antes.

O economista disse que depois da declaração do primeiro-ministro desta noite ficou a saber que "tinha negociado com a Europa um PEC, porque ele próprio o declarou, e, portanto, este PEC quando chegou a Portugal já estava aprovado, tinha sido negociado com a Europa, pelo que não havia espaço de negociação".

Neste contexto, acrescentou Duque, compreende "claramente a atitude de alguma oposição que se sentiu chocada e em cheque perante um facto consumado".

O presidente do BPI, Fernando Ulrich, considera que Portugal deu "um grande passo" ao reconhecer a necessidade de recorrer à ajuda externa.

Num debate na RTP, sob o tema 'Portugal e o futuro", Fernando Ulrich afirmou que a decisão do Governo é "muito importante para os mercados e para todos os que nos observam", nomeadamente "os nossos parceiros europeus".

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, João Machado, afirmou que o pedido de ajuda financeira externa devia ter vindo "um pouco mais cedo" para evitar a "farsa" construída à volta da queda do Governo.

João Machado afirmou que a recuperação económica "vai ser difícil", mas considerou que esta foi "a melhor solução possível" porque "Portugal já não aguentava mais não pedir ajuda".

O presidente da CAP afirmou que com as eleições e com a entrada de ajuda externa da União Europeia começa "uma nova etapa para a resolução dos problemas" do país. Só assim será possível "um novo quadro político de estabilidade e apoios seguros", acrescentou.

Já o presidente da Confederação Empresarial Portuguesa (CIP), António Saraiva, afirmou que era "inevitável" Portugal pedir ajuda financeira externa e que mais importante do que isso era ter "criado condições" para não ser necessária.

António Saraiva frisou que o país não teria chegado a esta "situação lamentável" se tivesse "corrigido os desequilíbrios das finanças públicas", cortando "gorduras" em vez de aumentar despesas.

Para o presidente da CIP, "mais importante do que o que se pode esperar da ajuda interna é criar conduções para produzir internamente, reduzir as importações, criar condições para as empresas exportarem mais e melhor".

O economista e antigo ministro do PSD Mira Amaral considerou que "o que tem de ser tem muita força", lamentando que o Governo tenha "demorado tanto tempo" a avançar com o pedido de ajuda externa.

Mira Amaral criticou que tivesse sido chegar a uma situação de "ameaça do pagamento das empresas públicas e do próprio Estado e de total falta de liquidez da banca portuguesa para o primeiro-ministro finalmente se convencer que não havia alternativa".

O economista ligado ao PSD disse que "foi preciso que um conjunto de empresas públicas e de bancos vissem o seu 'rating' quase ao nível do 'lixo' para que o primeiro-ministro se convencesse daquilo que toda a gente já tinha visto".

O antigo presidente da Associação Portuguesa de Bancos, João Salgueiro, considerou, quarta-feira, que a ajuda externa decidida pelo Executivo devia ter sido pedida "há dois ou três meses" para evitar estar agora "de mão estendida".

"Era muito claro, nos últimos meses, que era inevitável uma ajuda externa e tornou-se mais claro do ponto de vista orçamental, tendo Portugal ultrapassado os 90% de dívida pública, o que não acontecia há mais de 50 anos", disse Campos e Cunha, antigo ministro das Finanças do primeiro Governo de José Sócrates.

Questionado sobre se a reunião dos banqueiros precipitou a decisão de pedido de assistência financeira, Campos e Cunha considerou que esta "pode ter alertado ainda mais, mas há meses que esta situação era inevitável".

Confrontado com a mesma pergunta, Salgueiro disse que "as pessoas que trabalham na banca limitaram-se a informar" e sublinhou que "tratava-se da evidência dos factos".

O antigo banqueiro manifestou-se "optimista" sobre o futuro porque "o doente tinha uma doença crítica e agora vai querer curar-se".

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG