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Eduardo Vítor Rodrigues: "As pessoas vão pagar caro se o PS não ganhar"

Eduardo Vítor Rodrigues: "As pessoas vão pagar caro se o PS não ganhar"

O presidente da Câmara de Gaia acompanhou, esta terça-feira, a caravana do líder do PS numa arruada na Afurada. Em exclusivo ao JN, Eduardo Vítor Rodrigues diz não ter preferências entre um Governo socialista mais influenciado pela Esquerda ou pela Direita: "O importante é que o PS ganhe". Uma opinião partilhada pelo deputado e vereador da Câmara do Porto, Tiago Barbosa Ribeiro.

"As pessoas vão pagar caro se o PS não formar Governo", afirma Eduardo Vítor Rodrigues, acusando a Direita de ter um programa de privatizações e liberalizações "dissimuladas". Ainda assim, acredita que a polarização que tem marcado a campanha irá terminar no dia a seguir às eleições.

"A partir do momento em que o PS ganhar, os equilíbrios parlamentares vão acontecer de uma maneira ou de outra", considera o autarca. E, tal como António Costa fez e repetiu nos tempos em que ainda pedia uma maioria absoluta, traz Marcelo Rebelo de Sousa à conversa: "Acredito no papel regulador do presidente da República".

Nos últimos dias, contudo, o líder socialista deixou de pedir essa maioria absoluta, passando a centrar-se nos apelos ao diálogo "com todos". No entender do edil gaiense, Costa "fez muito bem" em incutir essa alteração no discurso.

"Os dados vão no sentido de demonstrar que as pessoas estão menos viradas para isso", justifica. "Mas acho que quem fez o trabalho que ele fez tem a obrigação de pôr esse assunto em cima da mesa, até porque este foi um Governo que dependeu de equilíbrios instáveis. As pessoas percebem que não podemos continuar desta maneira", considera Eduardo Vítor Rodrigues.

"Não podemos desvalorizar as sondagens"

No domingo, Costa disse não aceitar "lições" da líder do BE mas, no dia seguinte, começou a apelar ao "diálogo". O autarca de Gaia não encontra "nenhuma contradição" entre esses comportamentos: "Ele sempre esteve disponível para dialogar. Agora, perante a arrogância do BE e do discurso de Catarina Martins, respondeu muito bem: não recebe lições, mas dialoga", refere.

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Questionado sobre a importância das sondagens - a do JN, DN e TSF, publicada esta terça-feira, dá empate técnico entre PS e PSD -, Eduardo Vítor aproveita para estabelecer uma diferença entre a perspetiva socialista e a de Rui Rio, que as desvalorizou durante a campanha autárquica.

"As sondagens são instrumentos de trabalho que é preciso ter em conta. Não podemos desvalorizá-las quando nos dão resultados menos bons e dar-lhes muita importância quando dão resultados positivos", atirou o presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia.

Apesar de nem o próprio Costa dar as eleições como ganhas, Eduardo Vítor garante estar "otimista": "Acho que as pessoas fazem um bom balanço destes seis anos, entre a recuperação da crise e a pandemia, e vão votar perspetivando os próximos quatro. As pessoas não querem andar de ano e meio em ano e meio em eleições, percebem que isso prejudica o país", conclui.

Barbosa Ribeiro apela a "votação expressiva"

Tiago Barbosa Ribeiro, uma das personalidades socialistas que marcaram presença nas arruadas desta terça-feira, também não revela preferências entre uma reedição da geringonça ou uma aproximação ao PSD. "Não faz sentido especular sobre esses cenários", respondeu ao JN, apelando a uma "votação expressiva" no PS.

Só assim, considera, os socialistas terão "condições" de aplicar o seu programa, que descreve como "progressista" e do qual destaca a "valorização dos rendimentos, a defesa do SNS e a valorização das pensões".

Mas será que tanto a Esquerda como a Direita dão aos socialistas garantias de poder executar esse programa? "O PS não exclui nem nunca excluiu ninguém do diálogo", limitou-se Barbosa Ribeiro a responder.

"O PS sempre foi um partido de diálogo e António Costa já provou que é um homem de diálogo", acrescentou o deputado. "Todos percebemos que esta crise política foi criada pela falta de uma maioria do PS na Assembleia da República. O povo português fará o seu julgamento", frisou, desvalorizando o facto de, nos últimos dias, Costa ter deixado de pedir uma maioria absoluta ao país.

Tiago Barbosa Ribeiro relativizou ainda a aproximação do PSD ao PS que é indicada pelas últimas sondagens: "Não ficamos nem com euforias com sondagens positivas nem com outro estado de espírito com sondagens menos positivas. Não estamos aqui para ganhar sondagens, mas sim para ganhar eleições", concluiu.

A caravana do PS começou o dia com uma ação de campanha no mercado de Matosinhos, tendo depois rumado às ruas da Afurada. Da parte da tarde estará em Coimbra e, à noite, haverá comício em Aveiro.

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