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Patrícia, a andebolista nota 20

Patrícia, a andebolista nota 20

São 4130. Assim, número exato. E grande parte encheu esta quinta-feira a Praça de Gomes Teixeira, casa da Reitoria da Universidade do Porto.. Sobressaiu um. Uma, para o caso. Chama-se Patrícia Resende e tem no cabelo ruivo a espontaneidade de uma estudante de 18 anos. O que ninguém sabe é que esta andebolista de alto rendimento nascida na Maia entrou na Faculdade de Arquitetura com 200 valores.

Assim, número exato. O preestabelecido rótulo de marrona e cinzentona não colhe. A mais recente caloira da UP, instituição que este ano conseguiu alcançar uma média de 1,9 candidatos em primeira opção por cada vaga, diz-se igual "a qualquer outro aluno". O segredo, que para Patrícia é um modo de vida passado pelos pais - e já lá vamos, ao pai -, é simples: "Sempre me disseram para começar bem o que tinha de fazer e acho que comecei bem o Secundário". Vem do curso técnico-profissional Desenhador de Projetos - Arquitetura e Engenharia do Colégio de Gaia. E acredita que o facto de ter estudado disciplinas ligadas à sua paixão, a Arquitetura, "ajudou" ao feito alcançado.

Vamos a contas. Patrícia terminou o Secundário com uma média de 20 valores - escaparam Português e Filosofia, com 18; e Inglês, com 19 - e obteve 200 valores no exame nacional de Geometria Descritiva A. O difícil até parece fácil: "Desde pequena habituei-me a estar atenta ao que o professor dizia e a questionar quando tinha dúvidas". Somados os trabalhos de casa e os projetos, a maioria do estudo estava feita, garante.

Depois. Depois, aquilo que todo o atleta, ainda para mais de alto rendimento, sabe. "Dar o melhor de mim. E se o melhor era 20, continuar no 20". E chegamos aos ensinamentos do pai, o consagrado andebolista e treinador do ABC Carlos Resende que, curiosamente, foi um dos oradores da receção de 2014 aos novos alunos da UP. A filha sabe que está orgulhoso. E o próprio confirma-o no Facebook ao falar dos 200 valores de Patrícia. Ao falar, sobretudo, de como é possível ser estudante e atleta e, ao mesmo tempo, obter resultados de excelência.

O andebol, que a levou em 2014 ao Mundial, está para ficar, garante. Assim como a determinação em ser arquiteta, quiçá na área da reabilitação urbana. Uma coisa é certa, diz, vai "lutar para dar sempre o melhor". Até porque, e cita os pais, "os melhores têm sempre lugar".

Voltemos aos 4130, "do que há de melhor de estudantes no Ensino Secundário em Portugal", frisa o reitor Sebastião Feyo de Azevedo. Até porque, refira-se, a UP foi a universidade do país com a maior média ponderada do último colocado: 156,8 valores, de entre 52 cursos. Uma "responsabilidade imensa", diz o reitor, numa cidade com "uma atratividade enorme". E do Porto falou Rui Moreira, que deu as boas--vindas aos caloiros em Português e Inglês. Porque "não há Porto no futuro sem universidade", essa grande "nau" que é a UP.

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