Pandemia

Educadores duvidam que regras das creches sejam cumpridas

Educadores duvidam que regras das creches sejam cumpridas

Estabelecimentos irão abrir com menos crianças porque há pais a ficar em casa. Tutela e DGS preparam documento definitivo. Profissionais temem efeitos negativos.

A utilização de máscara cirúrgica pelos profissionais das creches vai ser uma das medidas mais difíceis de cumprir. A menos de uma semana para a reabertura destes estabelecimentos - no dia 18, para as crianças até aos três anos - os educadores consideram que não vão conseguir respeitar parte das orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS), ainda por publicar. Lembram que algumas delas vão limitar as relações entre os mais novos e antecipam que, nas primeiras semanas, a afluência seja inferior a 50%.

"Os constrangimentos que implicam o afastamento entre pessoas, como usar máscara, são enormes do ponto de vista do desenvolvimento das crianças. São duas dimensões, a saúde ligada ao desenvolvimento, muito difíceis de compatibilizar", explicou ao JN Luís Ribeiro, presidente da Associação de Profissionais de Educação de Infância (APEI). "Uma educadora, ou outro cuidador, estar com máscara só tem algum sentido se nunca se aproximar da criança. Porque, a partir do momento em que lhe pegar ao colo, esta vai tocar e tentar tirar a máscara".

A APEI conta concluir ainda hoje um documento, no âmbito da pedagogia para a infância, "que responda a algumas questões técnicas, mas que tenha esta dimensão da pedagogia, dando algumas orientações que diminuam efeitos negativos da organização das creches mas que respondam aos interesses das crianças", revelou.

Só quem não tiver alternativa

Apesar de não concordar que as creches sejam as primeiras a reabrir, a associação considera que não serão muitos os pais a levarem os filhos. "Só quem não tiver alternativa", sublinhou o presidente. Das informações que têm, estimam que, "na melhor das hipóteses", algumas creches consigam reabrir com 50% da lotação. As outras deverão rondar os 10% a 15%.

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Susana Batista, da Associação de Creches e Pequenos Estabelecimentos de Ensino, frisou que os estabelecimentos são obrigados a abrir, por lei, mesmo que só recebam uma criança no dia 18. A associação esteve ontem reunida com Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, mas a presidente não sabe se serão tidas em conta as recomendações feitas sobre algumas das orientações das quais discordam, como a proibição de partilha de brinquedos e o distanciamento social entre crianças, nos documentos a emitir em breve pela tutela e DGS.

Medo dos pais é compreensível

Também Lino Maia, da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) entende que nos primeiros dias a afluência será mais reduzida. Como os pais podem ficar em casa até 1 de junho com apoio do Estado, o responsável estima que o regresso será feito de forma gradual, o que considera ser uma "vantagem", pois permitirá otimizar as novas regras. Questionado sobre os receios dos pais, Lino Maia classificou-os como "compreensíveis", mas sublinhou que as crianças vão estar em "segurança" e que serão tomadas todas as "cautelas".

Confrontada com as críticas, Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, assegurou ontem que o objetivo é garantir algum "distanciamento social" entre as crianças mais novas, sem impedir o seu "normal desenvolvimento".

Desde a semana passada que os funcionários estão a ser testados de forma descentralizada. A Câmara de Gaia quer testar 1600, entre profissionais de creches e escolas. Na Área Metropolitana de Lisboa, serão testados sete mil trabalhadores de creches até sexta-feira.

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